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Domingo, 19 de Abril de 2026

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"O SOL SE REPARTE EM CRIMES / EM ESPAÇONAVES, GUERRILHAS / E EM CARDINALLIS BONITAS / EU VOU..."

Mas mesmo "sem lenço e sem documento e nada nos bolsos ou nas mãos", o poeta tem o dom da palavra

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"O SOL SE REPARTE EM CRIMES / EM ESPAÇONAVES, GUERRILHAS / E EM CARDINALLIS BONITAS / EU VOU...". --

Esses versos são da música "Alegria, alegria", do genial Caetano Veloso. Ela participou do Festival de Música de 1968, da antiga TV Record.

Foi no período em que os primeiros jovens  brasileiros oriundos dos festivais universitários de música e poesia começaram a compor músicas e a se profissionalizar na MPB, logo após o surgimento da Bossa Nova, em que Tom Jobim, Vinicius de Morais, Carlinhos Lira, João Gilberto, Francis Hime e outros, tal como os compositores americanos, que partindo da música dos negros afroamericanos  transformaram-na em ritimos de músicas mais sofisticadas como o blues e outros, os nossos músicos geniais partiram do nosso Samba e Chorinhos de grandes compositores como Cartola, Nelson Cavaquinho, Noel Rosa, Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, Lupicínio Rodrigues, Braguinha, Pichinguinha e outros, para criarem uma música moderna, não só em ternos de ritimo, como também de linguagem, que tornou o Brasil mundialmente conhecido.

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Pois antes da Bossa Nova só éramos conhecidos como "o país do Samba e do Carnaval", muito provavelmente devido a cantora Carmem Miranda ter ido morar nos Estados Unidos e passou a trabalhar na Walt Disney, que levou a nossa música para os States.

E Inclusive quando o Brasil atingiu o rank de sexta economia do mundo, e que após a desaceleração da economia americana, que se agravou com a crise financeira de 2008, mas o Brasil continuou relativamente estável e a nossa classe média continuou viajando e lotando os shoppings centers americanos, o que ajudou na recuperação da economia americana, o então presidente Obama confessou que antes do "boom" de consumidores brasileiros superlotarem os shoppings americanos, "a única referência que ele tinha do Brasil, foi quando ele ainda criança, a sua mãe o levou ao cinema para assistir o filme Você já foi à Bahia, da Disney".

Mas a música moderna da década de 1960 foi uma outra revolução, fruto dos movimentos culturais universitários como MUC- Movimento Cultural Universitário e outros, donde surgiram jovens compositores como o grupo cearense "Gente do Ceará", formado por Fagner, Edinardo e o saudoso Belchior; Ivan Lins; Edú Lobo; os baianos Gilberto Gil, Caetano Veloso e Zé Carlos Capinam; o poeta piauiense Torquato Neto; Chico Buarque de Hollanda e os Novos Baianos e outros bons artistas, que antenados com o mundo universitário europeu e o movimento undergraund hippie, surgido nos Estados Unidos, foi como se uma segunda Semana de Arte Moderna de 1922 estivesse sendo reeditada, em pleno regime militar no Brasil e  em plena guerra fria, em que a URSS invadiu a Tchecoslováquia com os seus tanques de guerra, e um ano depois o Estados Unidos enviou uma espaçonave tripulada à Lua, em que o austronauta americano, Armstrong, saíu de ums cápsula da nave e pisou pela primeira em solo lunar.

E a música "Alegria, alegria", narra os fatos históricos da época de uma forma tão poética, que só depois de ter lido o livro "A Necessidade da Arte", do escritor Ernest Fischer, foi eu descobrí que a linha poética de Caetano Veloso é o Romantismo Alemão; o que pode ser constatado na sua música "Muito Romântico", que ele conclui a música com o seguunte verso: "Em outras palavras, sou muito romântico".

E a música "Alegria, alegria", é uma convite à vida, ainda que Caetano foque as adversidades da época, como a guerra do Vietnam em que os Estados Unidos bombardeiou áreas da população civíl e jogou Penta Clorofenato de Sódio (o pó da China) para descobrir vietcongues entricheirados, e outras atrocidades cometidas na guerra;  a disputa pela corrida espacial  entre os EUA e a URSS, em plena guerra fria; a glamourosidade de Cláudia Cardinalli, considerada um dos símbolos sexuais da época; a falta de liberdade de expressão e repressão à Arte e à Cultura no regime militar do Brasil.

Mas mesmo "sem lenço e sem documento e nada nos bolsos ou nas mãos", o poeta tem o dom da palavra para seguir a vida, de certa forma, incólume. É como já disseram alguns críticos literários e eu concordo, corroboro e complemento as suas palavras da seguite forma: (...).sem a dor existencial e o sofrimento humano, alternados com os bons momentos da vida, não teríamos as grandes obras literárias como as de Dostoiéviski e as de Shakspeare".

J.B.Say-y+ntos =Benigno.

FONTE/CRÉDITOS: José Benigno
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José Benigno

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José Benigno

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