Na semana passada, o Papa Francisco citou o verso "A vida é arte do encontro", da música "Samba da Benção", de Vinicius de Moraes. E a Real Academia de Ciências da Suécia anunciou o nome de duas vencedoras do prêmio Nobel de Química, as criadoras da edição do genoma: a francesa Emmanuelle Charpentier e a americana Jennifer Doudna, que segundo o jornalista Nuño Dominguez, do jornal espanhol EL PAÍS, "pela primeira vez na história dessa categoria, criada em 1901, que duas mulheres a compartilham e dividem o prêmio". Elas desenvolveram a técnica de edição genética CRISPR/Cas9, que funciona como uma espécie de tesoura molecular que permite editar o código genético de qualquer animal, planta ou micróbio. "Essa tecnologia é considerada revolucionária para as ciências biológicas está contribuindo para o desenvolvimento de novas terapias contra o câncer e pode tornar realidade a cura de muitas doenças hereditárias de origem genética, conforme destacou a academia", afirmou o autor do artigo do EL PAÍS. E essa técnica precisa e inusitada de cortar o DNA, o código da vida, teve início quando as duas cientistas se encontraram em um café em Porto Rico, durante um intervalo de uma das palestras de um congresso no qual elas duas estavam participando. Mas de início elas duas pensavam apenas em descobrir um antibiótico potente para combater uma bactéria específica para curar determinadas doenças. E assim como "a Vida é amiga da Arte", como diz Caetano Veloso na música "Força estranha", podemos dizer também que a Ciência é amiga da Vida, mas que exige ética, respeito e amor à toda humanidade. E foi exatamente isso que São Francisco de Assis vivenciou e nos ensinou.
Mas só que na vida existe a igualdade matemática, onde 2 mais 2 é sempre igual a 4. E todo homem necessita da Vida, da Ciência e da Arte verdadeira. E eu ratifiquei o quanto o conhecimento humano é relativo e limitado, quando li o livro "A necessidade da Arte", do escritor Alemão Ernest Fischer, no qual eu fiz muitas descobertas fantásticas. E uma delas foi que: mesmo que Marx tenha sido um filósofo diferenciado dos demais, tanto dos da antiguidade até os da sua época, pelo fato dele não só explicar o mundo e as suas contradições. Mas também por ter apresentado as ferramentas de transformação para um mundo melhor para todos os homens do planeta Terra. E apesar de todo o seu cabedal de conhecimentos, que até hoje serve de embasamento científico para novas correntes do pensamento contemporâneo, ele não sabia explicar o porquê dos cientistas, mesmo os materialistas, ao assistirem os dramas clássicos do teatro grego, escritos há centenas de anos atrás, ainda se emocionavam, mesmo já na fase mais brilhante do Iluminismo do final do século XIX. E quanto o encontro das duas cientistas ganhadoras do Nobel de Química de 2020, num café em Porto Rico, e que foi o ponto de partida para elas realizarem a pesquisa conjunta que lhes deu o Nobel de Química, me remete à seguinte frase do poeta americano Erza Pound: "Os poetas são as antenas da raça". E a meu ver o encontro das duas cientistas que descobriram a edição do genoma e que pode reescrever o código da vida, é a concretização do verso de Vinicius, que afirma que "A vida é arte do encontro". E ainda segundo o jornalista do EL PAÍS, "A importância da técnica é difícil de enxergar, pois pela primeira vez dá aos homens a capacidade de modificar sua própria genética, o futuro não só de um indivíduo, mas de todos os seus descendentes. Por isso o CRISPR/Cas9 é uma tecnologia que despertou questionamentos muito importantes e também polêmicos, como a inédita alteração de embriões humanos, em um experimento enlouquecido do cientista chinês Hei-Jiankei ao editar o genoma de dois bebês. E neste caso, aproveito para lembrar de um alerta dado pelo poeta Novallis, no qual ele afirmara que: "De tanto o homem moderno negar o inconsciente, ele acaba perdendo a sua essência". J.B.Say-y+ntos = Benigno.
José Benigno Batista Santos; nascido em Camaçari/BA, em 15 de agosto de 1943. Técnico em Química Industrial e economista pela UFBA, da turma de 1968, com curso concluído em julho de 1971.
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