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Quinta-feira, 30 de Abril de 2026

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Estrangeiros cortam pela metade investimentos no Brasil, diz ONU

Economia nacional vive uma das maiores quedas de investimentos diretos entre os países emergentes

Estrangeiros cortam pela metade investimentos no Brasil, diz ONU
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A decisão da Ford de fechar fábricas no Brasil foi apenas a ponta de um ice-berg e a economia nacional vive uma das maiores quedas de investimentos diretos entre os países emergentes.

Às vésperas do início do Fórum Econômico Mundial, realizado neste ano de forma virtual, a ONU divulga nesse domingo dados que mostram que os investimentos estrangeiros diretos no Brasil em 2020 registraram uma queda de 51% em comparação aos volumes de 2019. A redução é superior à média da queda mundial.

“No Brasil, o investimento diminuiu para 33 bilhões de dólares, enquanto o programa de privatização e as concessões de infra-estrutura pararam durante a crise pandêmica”, indicou a Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento.

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“As indústrias mais afetadas foram as de transporte e serviços financeiros, com quedas na entrada de fluxos de mais de 85% e 70%, respectivamente, e as indústrias de extração de petróleo e gás e automotiva, que registraram ambas uma queda (preliminar) de 65% nos fluxos”, explica a ONU.

James Zhan, representante da Conferência da ONU para Desenvolvimento e Comércio (Unctad), alerta que a recuperação brasileira pode ser lenta, já que o que se registrou foi uma queda acentuada de investimentos em novas plantas de produção. Isso, segundo ele, seria uma indicação de que a retomada não ocorrerá de forma imediata, mesmo com o fim da pandemia.

“A recessão e o choque causado pela pandemia geraram um golpe para os investimentos no Brasil e na região. Vimos produção afetada”, disse. “No curto prazo, podemos levar um tempo maior para que o Brasil se recupere, comparado com outras partes do mundo, como Europa”, indicou.

No longo prazo, porém, a esperança é de que a reestrutura de cadeias produtivas pelo mundo possa também significar que haverá uma maior integração regional na América Latina, com oportunidades de investimentos e diversificação para o setor de tecnologia.

Mas, entre as grandes economias do mundo, apenas quatro tiveram quedas ainda mais profundas que o Brasil em 2020: Reino Unido, Itália, Rússia e Alemanha.

O volume de investimentos só não é menor que em 2009, quando a crise financeira global também abalou os fluxos para o Brasil e somou apenas US$ 26 bilhões.

O país ainda terminou 2020 como o quinto maior recipiente de investimentos do mundo, superado por Índia, Cingapura, EUA e China. Em 2011, há uma década, o Brasil já era o quinto maior receptor.

De uma forma geral, 2020 registrou um colapso nos investimentos globais, com queda de 42% e um total de US$ 859 bilhões. Em 2019, o volume havia chegado a US$ 1,5 trilhão. Os dados de 2020, portanto, mostram que os fluxos estão 30% abaixo do valor mínimo após a crise financeira global em 2009. A pandemia ainda colocou os investimentos em seu menor nível em 30 anos.

América Latina não resiste

O Brasil não foi o único a não resistir à pandemia. De uma forma geral, a América Latina viu uma queda de 37%, com um total de US$ 101 bilhões. De acordo com ONU, a região vive “uma das mais profundas recessões em todo o mundo em desenvolvimento”. “Os investimentos em indústrias relacionadas ao petróleo e os fluxos de procura de mercado registraram quedas acentuadas. Entre as economias maiores, apenas o México experimentou um declínio de menos de 10%, graças aos lucros reinvestidos resilientes”, disse.

Os fluxos para o Peru, Colômbia e Argentina caíram em 76%, 49% e 47%, respectivamente. No Chile, os fluxos caíram 21% para US$ 8,9 bilhões.

Investimentos nos países ricos “secou”

Mas nem todos sofreram da mesma forma. Na média, os países ricos viram uma queda de 69%, com um total de US$229 bilhões. Do declínio global de 630 bilhões de dólares, quase 80% foi contabilizado pelas economias desenvolvidas.

“Os fluxos para a Europa secaram completamente”, disse a entidade, que aponta para uma fuga de recursos de US$ 4 bilhões. No Reino Unido, os investimentos foram nulos, enquanto houve um desinvestimento de US$ 150 bilhões na Holanda e na Suíça.

Considerando os 27 países da UE, a queda foi de 71%, com um total de investimentos de US$ 110 bilhões. Na Alemanha, o volume passou de US$ 58 bilhões em 2019 para US$ 23 bilhões em 2020. Quedas similares também foram registradas na Itália, enquanto a França viu um tombo de 39%, para US$ 21 bilhões.

Também foi registrada uma queda acentuada nos Estados Unidos (-49%) para $134 bilhões de dólares.

Superando EUA, China se transforma no maior receptor de investimentos no mundo

Já as economias emergentes resistiram, principalmente na Ásia. A queda de investimentos nos países em desenvolvimento foi de 12% e, no total, o bloco somou US$ 616 bilhões.

Com essa transformação, a participação das economias em desenvolvimento nos investimentos globais atingiu 72% – a maior participação recorde.

A China encabeçou o ranking dos maiores receptores de investimentos, superando todas as economias ricas. O ano ainda terminou com um aumento do fluxo para a China, de 4%. No total, o país atraiu US$163 bilhões em fluxos, deixando os EUA em segundo lugar.

O maior salto, porém, foi registrado na Índia que, em plena pandemia, viu os investimentos aumentarem em 13%, puxados por setor digital.

Já os fluxos caíram na Federação Russa, de US$ 32 bilhões em 2019 para US$ 1,1 bilhão devido à crise da COVID-19. “Além disso, a fraca demanda internacional por petróleo bruto e um conflito de preços com outros grandes produtores em abril de 2020 levaram os preços a níveis historicamente baixos, colocando uma pressão descendente sobre os investimentos no setor petrolífero”, indicou a ONU.

Recuperação: apenas em 2022

Sem vacinas suficientes e com incertezas sobre as políticas econômicas, a ONU estima que a recuperação dos fluxos de investimentos ocorrerá apenas 2022. Para 2021, pode haver uma nova contração de até 10%, com uma “contínua pressão descendente”. A queda de novos investimentos em produção em 2020 de 35% sugere que ainda não se vislumbra uma reviravolta nos setores industriais. Na América Latina, essa queda foi de 51%.

Uma das esperanças é o setor de infraestrutura, além de negócios nas indústrias tecnológica e farmacêutica.

Mas, para os países em desenvolvimento, as tendências representa “grande preocupação”. “Estes tipos de investimento são cruciais para o desenvolvimento da capacidade produtiva e da infra-estrutura e, portanto, para as perspectivas de recuperação sustentável”, diz.

Para a ONU, os riscos relacionados à última onda da pandemia, o ritmo da implantação de programas de vacinação e pacotes de apoio econômico, situações macroeconômicas frágeis nos principais mercados emergentes e a incerteza sobre o ambiente político global para investimentos continuarão a afetar os investimentos em 2021.

FONTE/CRÉDITOS: UOL
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