
Por 34 votos a 17 (duas abstenções), a primeira eleição direta para reitor da Universidade Federal da Bahia será feita de forma presencial. A decisão foi tomada na reunião de ontem (segunda, 13 de abril) do Conselho Universitário da UFBA. A reunião estabeleceu ainda o calendário da eleição: a votação acontecerá nos dias 20 e 21 de maio. As chapas serão oficialmente conhecidas no dia 27 de abril, quando se inicia a campanha e o resultado da eleição será homologado pelo Conselho Universitário em 15 de junho.
A APUB defendeu o voto remoto, a partir dos princípios da razoabilidade, da maior participação da comunidade, dos custos de uma eleição de papel e do desgaste da quantidade de pessoas envolvidas no processo. Isso qualificaria o debate com dados sobre processos equivalentes em outras Instituições Federais de Ensino, comprovando que essa modalidade aumenta a participação da comunidade. Como já foi publicizado pelos canais de comunicação do Sindicato, a UFBA segue uma exceção entre as 20 maiores universidades federais do país, ao optar pelo voto em papel.
Também estava na pauta da reunião do Conselho Universitário o referendo ao peso do voto de cada segmento da comunidade universitária, no mesmo padrão das consultas anteriores – ou seja, 1/3 para cada categoria com quociente dos votos na integralidade do colégio eleitoral da mesma categoria aprovado por 42 votos; bem como as decisões de elaborar resoluções para as eleições do quadriênio 2026-2030 e a regulamentação do processo eleitoral para futuras eleições de reitor/vice-reitor e diretor/vice-diretor das unidades, ambos aprovados por 52 votos.
A definição da modalidade de votação (presencial ou remoto) foi o ponto mais sensível do debate, ficando para o final da reunião. Uma não bem justificada mitificação nostálgica do voto impresso, sem apoio de dado algum e a suposta ausência de condições técnicas para uma votação online numa universidade nordestina do nosso tamanho foram os principais argumentos utilizados por quem se posicionou de forma contrária a essa modalidade – apesar disso, a ideia de ter um parecer técnico da Superintendência de Tecnologia da Informação (STI) para uma opinião embasada foi rechaçada.
Perdem os quase 1500 estudantes da modalidade Educação à Distância da UFBA, os professores e estudantes que estão afastados em trabalho de campo e toda a comunidade universitária, com menos oportunidades de participar da escolha de seu dirigente máximo, decidido tão somente por alguns votos expressos presencialmente, em um proceso mais dispendioso e que vai precisar envolver mais pessoas do ponto de vista logístico.
Apesar do voto vencido, a APUB segue comprometida com o processo. “Não abrimos mão de participar, de contribuir com ele e de continuar com o nosso trabalho, com o nosso modo de fazer política, empregando com responsabilidade nossos recursos políticos, para continuar construindo a democracia dentro da universidade”, afirma a presidenta Raquel Nery. O Sindicato terá uma cadeira na Comissão Eleitoral, ao lado de três representantes do CONSUNI (um de cada categoria: docentes, técnicos-administrativos e estudantes), representantes da ASSUFBA e DCE (um de cada) e representante da Administração Central.

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