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Quarta-feira, 13 de Maio de 2026

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Energia Limpa, Brasil Soberano: crise climática e transição energética

A transição para fontes renováveis não é apenas uma agenda ambiental, é uma reorganização da geopolítica e da economia mundial

Energia Limpa, Brasil Soberano: crise climática e transição energética
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As mudanças climáticas não pertencem a um futuro distópico que nunca vai chegar, elas já estão afetando o planeta. Em 2024, a temperatura média global chegou a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais (1), limite além do qual os efeitos climáticos tornam-se progressivamente irreversíveis. Secas, inundações, queda na biodiversidade e crises alimentares não são cenários distantes, seus efeitos já estão sendo sentidos pela população.

Neste Dia Nacional da Conscientização das Mudanças Climáticas, é importante destacar que a queima de combustíveis fósseis é a principal causa de emissão dos gases do efeito estufa (2), contribuindo mais para o aumento da temperatura do planeta do que qualquer outro fator. A resposta para mudar esse cenário, portanto, passa necessariamente pela transformação das matrizes energéticas em todo o globo.

A transição para fontes renováveis não é apenas uma agenda ambiental, é uma reorganização da geopolítica e da economia mundial que se apresenta como necessária e urgente. Até 2050, quase 90% da eletricidade precisará vir de fontes limpas para manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C (3). Por isso, quem dominar a produção de energia sustentável terá ampla vantagem estratégica. 

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O caminho brasileiro

O Brasil ocupa uma posição singular. Com uma matriz elétrica que já é majoritariamente renovável, com 88% proveniente de fontes limpas (4), o país parte na frente. Some-se a isso o potencial na produção de hidrogênio verde, a vastidão de territórios com irradiação solar e ventos excepcionais, e a capacidade de uma empresa estatal como a Petrobrás para liderar essa transição. “O Brasil está anos-luz à frente do Norte Global”, afirma Deyvid Bacelar, coordenador geral da FUP, destacando, ainda, que não há contradição entre explorar petróleo e combater o aquecimento global com uma transição energética justa, soberana e popular (5).

O dirigente sindical dos trabalhadores e das trabalhadoras da indústria de petróleo e gás explica que o grande vilão do aquecimento global é a queima de combustíveis fósseis, não a extração e transformação do petróleo em produtos utilizados pelo consumidor final e como matéria-prima em cadeias industriais de larga escala. “Defender o fim da queima de combustíveis fósseis não significa abrir mão da extração de petróleo, porque são dimensões distintas do mesmo recurso. Compreender essa diferença é fundamental para um debate honesto e consistente sobre clima, desenvolvimento e indústria”, argumenta.

A soberania energética brasileira depende que esse caminho seja aprofundado. Um país que domina a produção de energia limpa reduz sua vulnerabilidade às oscilações do mercado internacional de petróleo, atrai investimentos sólidos e posiciona-se como fornecedor estratégico em uma economia global descarbonizada. Para o Brasil, a transição energética tem tripla vantagem: mitigação climática, reforço de sua soberania e estratégia econômica.

Transição energética justa

O movimento sindical petroleiro, bem como o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), defendem ainda que a transição energética precisa ser feita com inclusão da classe trabalhadora, de forma sustentável e pensando no desenvolvimento brasileiro. “Não basta reduzir as emissões e gases de efeito estufa, é preciso criar novas condições para o desenvolvimento nacional, para a indústria brasileira, para criar empregos e democratizar o acesso da população à energia”, afirma editorial do instituto (6).

A transição energética não é uma escolha entre desenvolvimento e meio ambiente. É a condição para que ambos sejam possíveis. O Brasil tem os recursos, a posição geográfica e o conhecimento técnico para liderar esse processo. Para a coordenadora geral do Sindipetro Bahia, as escolhas que faremos agora irão determinar qual posição o país vai ocupar no tabuleiro geopolítico global. “O Brasil já está preparado para assistir do sofá a transição energética global sem grandes solavancos. Mas temos a possibilidade de ter o controle remoto na mão”, define Elizabete Sacramento. 

 


 1. Organização Meteorológica Mundial (WMO): https://wmo.int/news/media-centre/wmo-confirms-2024-warmest-year-record-about-155degc-above-pre-industrial-level

 2. Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC): https://www.ipcc.ch/report/ar6/syr/downloads/report/IPCC_AR6_SYR_SPM.pdf

 3. Agência Internacional de Energia (IEA): https://www.iea.org/reports/world-energy-outlook-2025/net-zero-emissions-by-2050

 4. Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE): https://www.epe.gov.br/sites-pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/PublicacoesArquivos/publicacao-885/topico-767/BEN_S%C3%ADntese_2025_PT.pdf

5. Entrevista ao Bom Dia 247, em 07/11/2025: https://www.brasil247.com/entrevistas/brasil-esta-anos-luz-a-frente-do-norte-global-diz-deyvid-bacelar-sobre-politica-energetica

6. Boletim Ineep nº 21, fevereiro de 2025: https://ineep.org.br/wp-content/uploads/2026/01/boletim-ineep-no-21.pdf

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