Blog do Trabalhador - Notícia no tempo certo

Domingo, 31 de Maio de 2026

Notícias/Brasil

Governo não colocou um centavo para o combate à pandemia no Orçamento de 2021

Governo não usou nem 10% da verba para compra de vacina

Governo não colocou um centavo para o combate à pandemia no Orçamento de 2021
IMPRIMIR
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando

O Orçamento da União aprovado com três meses de atraso pelo Congresso Nacional reduziu verbas para a área da saúde no momento em que a pandemia do novo coronavírus está mais descontrolada, os hospitais estão superlotados, não tem mais vagas nas enfermarias nem nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), e os profissionais da saúde estão desesperados porque falta até remédios para intubação.

Apesar da pandemia, iniciada no ano passado, não ter dado trégua aos brasileiros – em janeiro o mundo assistiu estarrecido pacientes com Covid-19 morrendo asfixiados por falta de oxigênio em Manaus e agora vê centenas morrendo na fila de espera por uma vaga em leito de UTI -, o banqueiro Paulo Guedes, ministro da Economia, e sua equipe não destinaram verbas exclusivamente para combater a pandemia.

Nenhum centavo foi destinado pelo governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) na peça orçamentária enviada ao Congresso em meados de agosto do ano passado para a compra de equipamentos de proteção para os trabalhadores da saúde, ou de respiradores, ampliação de leitos de UTI e do estoque de oxigênio, entre outras necessidades para atender os contaminados pela doença.

Publicidade

Leia Também:

Do total de R$ 1,1 bilhão de verba deste ano para o combate à pandemia da Covid-19, parte foi colocada pelo relator do Orçamento, que mexeu na peça orçamentária enviada pelo governo federal. As emendas parlamentares foram responsáveis por apenas R$ 230 milhões.

“As emendas parlamentares para a saúde como um todo atingiram R$ 9 bi, mas o problema com esse dinheiro é que ele vai para ações de interesses dos parlamentares, não necessariamente para ações mais necessárias e urgentes como o combate à pandemia”, afirma economista e assessor do PT no Senado, Bruno Moretti.

Governo não usou nem 10% da verba para compra de vacina

No final do último quadrimestre do ano passado o governo destinou R$ 21,6 bilhões para a compra de vacinas contra a Covid-19, mas utilizou apenas R$ 1,9 bi – ou seja, menos de 10% da verba disponível.

Como o recurso foi aprovado em 2020, ele não pode ser contabilizado no orçamento da saúde deste ano, embora possa ainda ser utilizado.

“A sobra deste dinheiro só revela a incompetência do governo e sua lentidão em vacinar a população. É uma péssima distribuição do orçamento”, critica o economista.

Saúde perde R$ 20 bilhões em verbas este ano

A verba destinada à saúde como um todo diminuiu em R$ 20 bilhões do ano passado para este, se levarmos em conta que em 2020 o Congresso aprovou o orçamento de guerra (recursos extras, fora do orçamento) para evitar que os investimentos ultrapassassem o teto dos gastos públicos, que impedem que o governo gaste acima da inflação até 2036.

Moretti, explica que os dados oficiais sobre o orçamento ainda não foram divulgados, mas pelos relatórios apresentados e pelo fato de os parlamentares terem incluído emendas no valor de R$ 9 bilhões mais a decisão do governo, nesta quarta-feira (31),  de editar uma Medida Provisória (MP) com crédito extraordinário, em favor do Ministério da Saúde, no valor de R$ 5,324 bilhõeschega-se à redução de R$ 20 bilhões no orçamento da saúde. A conta inicial antes desses novos repasses era de uma perda de mais de R$ 36 bilhões. 

Para a Secretária de Saúde do Trabalhador, da CUT, Madalena Margarida da Silva Teixeira, essa falta de prioridade no enfrentamento à crise sanitária do novo coronavírus com investimentos em vacinação em massa, cuidados intensivos com os doentes e garantia do auxílio emergencial no valor de 600 reais tem sido responsável pelo aumento significativo dos números de contaminações, adoecimento e óbitos deixa claro que este governo pouco se importa com a vida da população.

A dirigente reforça suas críticas ao fato do governo ter privilegiado gastos com o orçamento militar com um aumento de R$ 8 bilhões destinados ao Ministério da Defesa, representando (22%) do total para este ano, em detrimento da saúde pública.

“O governo destina para aquisição de aeronaves de caça R$ 1,6 bilhão e para construção de submarinos, R$ 1,3 bilhão, que poderiam esperar. É inaceitável o governo e seus apoiadores não considerem que o país precisa de ações mais efetivas no enfreamento a pandemia e isso requer investimento na proteção e promoção da saúde”, diz.

“As ações desse governo foi, é e será sempre incompatível com a vida. Por isso precisamos intensificar o fora Bolsonaro e continuar cobrando medidas efetivas para contenção da pandemia, salvar vidas proteger o emprego, auxilio emergencial e de vacinas para todos”, conclui a dirigente CUTista.

Teto de Gastos é desculpa do governo para não alocar recursos na saúde

No ano passado o orçamento de guerra, recursos extraordinários, que não são contabilizados no Teto de Gastos Públicos, executou R$ 40 bilhões. Mas com o orçamento deste ano, irrealista, o governo acaba adotando saídas improvisadas, sem planejamento e duvidosas do ponto de vista legal, ressalta Bruno Moretti.

O problema, segundo o economista , é que embora haja a possibilidade do governo pedir por mais créditos extraordinários ao Congresso Nacional há empecilhos constitucionais que podem atrapalhar ainda mais o combate à pandemia.

A legislação permite os créditos extraordinários a partir de três requisitos institucionais: urgência, relevância e imprevisibilidade. Este último, a imprevisibilidade, pode se tornar um empecilho jurídico por que o governo não pode alegar que não sabia que a pandemia continuaria.

“Todo mundo sabe que era previsível a necessidade de mais recursos para o combate à Covid. “Quem não sabia que a pandemia iria recrudescer, que haveria mais óbitos, que as cidades fechariam seus comércios? Então, cai o argumento da imprevisibilidade”, alerta Moretti.

Para o economista, a abertura de créditos extraordinários para não bater no Teto de Gastos Públicos é quase uma confissão de que a regra fiscal simplesmente impede o combate à pandemia, tanto em relação à saúde da população, como no combate aos efeitos econômicos da crise sanitária.

“O orçamento aprovado com base nas regras fiscais só alimenta o caos sanitário. O governo tem um apego inexplicável pela austeridade fiscal e , por outro lado, ao mesmo tempo, pede créditos extraordinários sem requisitos legais”, afirma o economista.

A regra do Teto de Gastos precisa cair por que prejudica os mais vulneráveis e os trabalhadores. Seria melhor discutir de forma transparente o abandono da austeridade da regra

– Bruno Moretti

O que é teto de gastos

O teto de gastos é um limite de gastos para a União e tem como objetivo controlar a dívida pública – ou seja, a dívida do governo . O teto foi instituído por uma emenda constitucional aprovada em 2016 e que estabelece que os gastos do governo pelos próximos 20 anos – até 2036 – devem crescer de acordo com a inflação de um ano para o outro.

Na prática, o teto significa que o governo federal não pode fazer  um orçamento maior do que o ano anterior, mas somente corrigi-lo de acordo com a inflação: se a inflação no período for de 3%, o orçamento do ano seguinte poderá ser 3% maior.

O que é emenda parlamentar?

Emenda parlamentar é o nome que os parlamentares dão a  projetos de obras para serem realizados em suas bases eleitorais  que terão verba do orçamento.

Os congressistas têm direito a diversos tipos de emendas, as individuais, por exemplo, que são distribuídas a cada parlamentar e precisam ser necessariamente executadas. O mesmo vale para as bancadas de cada estado no Legislativo.

Essas emendas têm critérios e valor já calculado. Portanto, dificilmente fazem parte de negociações políticas – quando o governo libera mais verba em troca de apoio no Congresso.

FONTE/CRÉDITOS: Portal CUT
Comentários:
+colunistas

Publicado por:

+colunistas

Lorem Ipsum is simply dummy text of the printing and typesetting industry. Lorem Ipsum has been the industry's standard dummy text ever since the 1500s, when an unknown printer took a galley of type and scrambled it to make a type specimen book.

Saiba Mais

Veja também

Sindipetro Bahia
Sindipetro Bahia