Em ação claramente machista e misógina, a Embasa publicou na sua rede interna de comunicação (intranet) um comunicado no qual busca complicar a vida das mães lactantes. Elas obtiveram o direito de retornar para o regime de trabalho remoto (home office) através de liminar, concedida em ação judicial impetrada pelo Sindae junto à Justiça do Trabalho, mas a diretoria da empresa arrumou um jeito sorrateiro e vil de se vingar das mulheres e da derrota judicial que sofreu, exibindo todo seu ódio ao gênero feminino e à maternidade.
O problema é que a Embasa exige, além do preenchimento de um formulário de autodeclaração, que as mães lactantes com filhos acima de seis meses de idade também apresentem um relatório médico, alegando conformidade com o artigo 396 da CLT. Tal exigência é absurda e visa claramente dificultar o cumprimento da decisão judicial, pois o artigo aludido pela empresa trata de intervalos dentro da jornada, o que não é objeto da decisão judicial, que determina a alteração do regime de trabalho presencial para o de trabalho remoto.
A maldade desse tipo de exigência é extrema, ao obrigar que as mães com filhos pequenos saiam de casa para um consultório médico no meio da pandemia em busca de um relatório absolutamente dispensável, onerando o plano de saúde e expondo as mães e suas crianças ao risco de contaminação pelo coronavírus.
Caso a empresa não volte atrás nessa exigência vergonhosa e desumana, o sindicato irá acionar novamente o poder judiciário para garantir o cumprimento integral da decisão.
A amamentação das crianças a até, pelo menos, dois anos de idade, é uma recomendação da Organização Mundial da Saúde - OMS e da Organização Pan-Americana de Saúde - OPAS e uma decisão que cabe às mães. A recomendação da OMS se baseia em inúmeros estudos científicos que demonstram os benefícios de um período maior de amamentação para a saúde das crianças, que adoecem menos, diminuem o risco de obesidade e sobrepeso, além de ajudar a proteger as mães do câncer de mama. O leite materno fornece metade ou mais da energia e nutrientes necessários a crianças de 6 a 12 meses e um terço das necessidades entre os 12 e 24 meses. Segundo pesquisas internacionais, crianças amamentadas dentro dos padrões recomendados pela OMS e OPAS tem melhor desempenho em testes de inteligência e frequência escolar.
Mesmo nesse período de pandemia do Covid-19, essas organizações tem reforçado a necessidade das mães manterem a amamentação, para evitar prejuízos futuros à saúde e à vida das crianças. A decisão de amamentar seus filhos é da mulher e, em uma sociedade civilizada, deve ser sempre estimulada, mas na Embasa isso passa longe, demonstrando que a empresa precisa evoluir muito em sua visão de mundo e de gestão

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