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Sexta-feira, 15 de Maio de 2026

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O trabalho das mulheres sustenta a vida

Ao final da sua fala o professor deixou um ditado como reflexão para todas as mulheres presentes, “Os últimos a perceber o mar são os peixes”

O trabalho das mulheres sustenta a vida
Fotografias: Luciana Fonseca
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A reconstrução das relações sociais, o enfrentamento às opressões de gênero e a socialização do trabalho doméstico e de cuidados estiveram no centro dos debates da Mesa 3 do 12º Encontro das Mulheres Petroleiras, realizado no dia 6 de maio, durante a programação da tarde. Com o tema “A Reconstrução do comum: divisão social do trabalho e outras formas possíveis de organização social”, a atividade reuniu reflexões sobre patriarcado, capitalismo, masculinidade e desigualdades de gênero.

O professor de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Carlos Magno Camargos Mendonça, abordou a temática “A desconstrução da toxicidade: masculinidade, sociabilidade e experiências coletivas de transformação”. Durante sua fala, destacou que “a relação de propriedade é imposta às mulheres” e afirmou que “o moralismo ou a moralidade constituída é para gerar relações monogâmicas”. Segundo ele, “na desesperança existe uma saída e é a luta. Transformar as coisas por dentro”. O professor também ressaltou que “são as nossas narrativas que têm que transformar os espaços” e que “não há mudança se não houver ocupação por dentro”. Para ele, “precisamos de mais coletivos organizados”.

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Ao discutir a masculinidade opressora, Carlos Magno relacionou a lógica patriarcal à produção da riqueza, ao domínio sobre os corpos das mulheres e ao controle das sexualidades. Segundo ele, “cabem aos homens as formas de produção e controle” e o patriarcado estabelece uma “monoafetividade” organizada para controlar afetos e desejos das mulheres. “Eu entendo o patriarcado como um sistema que está absolutamente coordenado por uma lógica ambiental, ou seja, se há uma estrutura patriarcal há pelo menos três aspectos. O primeiro dele é a construção da produção da riqueza que está dada aos homens. A segunda me parece que seria a coordenação ou domínio dos outros corpos que seria destinado às mulheres. E o terceiro aspecto que seria o controle das sexualidades”, afirmou.

Ao final da sua fala o professor deixou um ditado como reflexão para todas as mulheres presentes, “Os últimos a perceber o mar são os peixes”.

A economista e doutoranda em Economia no CEDEPLAR/FACE da UFMG, Mahara Jneesh Menezes Silva, conduziu a palestra “Teoria da reprodução social: trabalho, cuidado e desigualdades de gênero”. Em sua intervenção, destacou que o patriarcado se reinventa constantemente “para que as mulheres voltem sempre para o mesmo lugar”. Segundo Mahara, as tensões produzidas pelo sistema capitalista se intensificam no espaço doméstico e o trabalho de cuidados funciona como amortecimento dessas pressões. “Essa tensão vai gerar violência”, alertou.

A palestrante também defendeu a socialização do trabalho doméstico e a participação dos homens nas tarefas de cuidado. Para ela, esse processo também é uma forma de humanização. “Um homem que está sendo levado, inclusive, pela ideia que é norma, que é central e se desafia a cuidar de outra pessoa, ele pode ter a possibilidade de, em outros aspectos, também se humanizar”, afirmou. Mahara ressaltou ainda que “o capitalismo romantiza o cuidado para não ter que remunerá-lo e para não socializá-lo”, ao mesmo tempo em que chamou atenção para as contradições envolvendo a remuneração do trabalho doméstico realizado majoritariamente pelas mulheres.

O ponto central da sua fala está na compreensão de que “o trabalho das mulheres sustenta a vida”, na necessidade de politizar o cotidiano e o entendimento de que “não é mais uma retórica agradecer estar viva”, que deixou como reflexão.

FONTE/CRÉDITOS: Sindipetro Bahia
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