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Terça-feira, 02 de Junho de 2026

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Quarto módulo do Curso de Letramento Antirracista discute raça e interseccionalidade

Durante os debates, exemplos de violência foram analisados, como o do massacre ocorrido no Rio de Janeiro nas últimas semanas

Quarto módulo do Curso de Letramento Antirracista discute raça e interseccionalidade
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O Curso de Letramento Antirracista da APUB retomou suas atividades na última quarta-feira (12/11) com o módulo “Raça e Interseccionalidade: Encruzilhadas da Exclusão e da Resistência”. A aula foi ministrada pela professora Cristiane Santos Souza, da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), que apresentou um panorama sobre a trajetória do conceito de interseccionalidade e seus impactos, pensando especialmente na dimensão da resistência e da luta permanente da população negra.

Pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisas Processos Sociais, Memórias e Narrativas Brasil/África – Nyemba, Cristiane iniciou sua fala compartilhando aspectos de sua trajetória acadêmica e institucional, da formação em Ciências Sociais e mestrado pela UFBA, ao doutorado na UNICAMP e à atuação em outras universidades.

“Um pouco do que eu vou falar hoje tem a ver com isso: essa necessidade de nos movimentarmos por diferentes campos, conforme os temas de pesquisa e as nossas próprias existências vão nos impondo. Muitas vezes é preciso subverter fronteiras. E a temática de hoje é um convite — teórico, metodológico e político — para subvertermos fronteiras disciplinares, temáticas e da luta política”, afirmou a professora.

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Ao aprofundar o debate sobre interseccionalidade, Cristiane apresentou a perspectiva de Vigoya e Pinho (2023), centrada na análise das relações de poder. “Estamos falando de construções, categorias, estruturas, de marcadores que se colocam estabelecendo relações de hierarquia e lógicas de opressão”, destacou.

Durante os debates, exemplos de violência foram analisados, como o do massacre ocorrido no Rio de Janeiro nas últimas semanas e tantas outros que têm vitimado sobretudo jovens negros, como o caso do estudante Caíque Reis, de 16 anos, morto em ação da Polícia Militar no bairro de São Marcos, em Salvador. “O nosso legado não é o luto, é a luta! Não queremos a dor! A gente quer justiça, quer equidade…um legado outro!”, afirmou.

O diretor acadêmico da APUB, Márcio André dos Santos, participou da atividade e abriu os debates contextualizando o Curso dentro das iniciativas da entidade para fortalecer uma agenda antirracista. “Estamos agora no Novembro Negro, um mês importante, marcado pela celebração da consciência negra e por uma série de atividades — algumas celebratórias, outras reflexivas, como debates, seminários e exibição de filmes”, lembrou.

A próxima aula do curso acontecerá no dia 26, com o módulo 5, “Cultura negra, resistência e ativismo antirracista”, ministrado pela professora Claudilene da Silva (UNILAB). O último encontro será no dia 10 de dezembro, com o professor Ricardo Benedito (UNILAB), que encerrará o curso com o módulo “Conhecer e combater as múltiplas faces do racismo”.

FONTE/CRÉDITOS: APUB
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