Depois da matéria veiculada no dia (6) pelo jornal A Tarde, em que apontava os planos do governo do estado de privatização da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), o Representante dos Trabalhadores no Conselho de Administração da empresa, Abelardo de Oliveira Filho e ex-presidente da companhia, declarou como inaceitável que um governo do PT contrate o BNDES do governo Bolsonaro para estruturar o projeto de privatização da Embasa.
Abelardo ainda revelou que a ideia do BNDES é criar blocos de municípios envolvendo a Região Metropolitana de Salvador e as Microrregiões de Saneamento nos mesmos moldes que estão sendo realizados na Cedae (Rio de Janeiro) e Casal (Alagoas). "Um verdadeiro Absurdo!", destacou ele em mensagem em rede social na manhã desta quinta-feira (7).
O Sindae tem criticado firmemente essa iniciativa do governador Rui Costa em querer dilapidar o patrimônio público do povo baiano, ao que tudo indica, sem nenhum embasamento técnico sério, apenas pelo viés ideológico neoliberal dele ou (mal) influenciado por assessores e dirigentes que se "apossaram" do governo para trazer vantagens financeiras para os especuladores do setor privado. A entidade entende que a empresa tem capacidade financeira, baixo endividamento e condições de financiar os seus próprios projetos de investimentos com custos muito menores, através de bancos nacionais e estrageiros. Uma parceria público-privada na empresa ou venda das ações trarão grandes danos à socidade baiana, como ficou demonstrado na PPP do Emissário Submarino, onde relatório interno da empresa apontou para uma economia de quase meio bilhão de reais, caso fosse feito com financiamento direto. No caso da venda das ações da empresa, quantia equivalente seria perdida, todos os anos, com a perda da imunidade tributária, além de aumentos tarifários abusivos.
Lideranças do próprio partido e parlamentares da base do governo e da oposição têm criticado essa iniciativa de tentativa de privatizar a Embasa.
No início do mês de dezembro de 2020, em live com o cientista político Alberto Carlos Almeida, o senador Jaques Wagner, que é potencial candidato ao governo do estado em 2022, declarou que a Bahia não era a Suíça, ao defender que somente uma empresa pública teria condições de levar saneamento para a maioria da população no estado.
Wagner: “É obvio que eu não tenho nenhuma ilusão. Nós não somos a Suíça que é pequenininha com um padrão de vida lá em cima. Eu fico vendo o pessoal falando, saneamento, se privatizar soluciona. Soluciona o quê? Pode solucionar as capitais que tem volume de demanda. Agora, eu que tenho 417 municípios. Duzentos e cinquenta (municípios) até 20 mil habitantes, sem receita própria, só FPM (fundo de participação dos municípios), com uma população carente, não vai dar taxa de retorno pra levar saneamento para lá. Ou eu levo, aí eu levo equilibrando as coisas numa empresa do estado, porque senão ninguém botaria, é isso que eu quero dizer, porque não dá retorno".

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