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Sexta-feira, 24 de Abril de 2026

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População decretou o final precoce do isolamento

Brasil perdeu uma grande oportunidade de se constituir em exemplo para todo o mundo

População decretou o final precoce do isolamento
População em Manaus (AM): o Brasil vive uma naturalização da pandemia – Foto: Bruno Kelli/Amazônia Real
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Dispondo do SUS, o maior sistema universal de saúde do planeta e sendo um dos últimos países a ser afetado, o Brasil se beneficiava do conhecimento das ações levadas a efeito pelos países que tiveram êxito.

Mesmo com o sucateamento do SUS e a destruição do Programa “Mais Médicos”, o governo federal deveria, assim que foi anunciada na China a manifestação do Coronavírus, reforçar o orçamento do SUS repondo os bilhões que haviam sido subtraídos no processo de sucateamento e acrescentando recursos novos com a aprovação do “estado de emergência” e coordenar o enfrentamento nacional à Covid 19 reequipando os hospitais e firmando contratos de aquisição dos insumos necessários que, feitos em âmbito nacional, pela maior magnitude teriam melhores condições de vencer a concorrência a preços bem mais acessíveis.

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Tendo em vista a omissão do governo Bolsonaro, os governos estaduais e municipais tiveram de procurar adquirir os equipamentos hospitalares  e demais insumos para o tratamento dos pacientes, de forma isolada, submetendo-se a preços abusivos além de transtornos quanto à entrega dos bens adquiridos. O governo federal sequer aplicou os recursos destinados ao combate da epidemia tendo se limitado a apenas 29% do montante aprovado pelo Congresso Nacional numa atitude que, mais do que irresponsável pode ser mesmo classificada como genocida, pois desperdiçou recursos aplicando-os de forma indevida como foi o caso do Laboratório Químico e Farmacêutico do Exército que já gastou mais de R$ 1,5 milhão para ampliar, em 100 vezes, sua produção de cloroquina, medicamento sabidamente ineficaz para o combate à Covid 19.

Não bastasse isso, em plena fase de combate à pandemia, Bolsonaro demite dois ministros médicos e coloca, para dirigir o Ministério da Saúde, um general sem formação alguma na área da saúde. Nessas condições, parte significativa das mortes ocorreram porque faltaram, às UTIs, anestésicos e até analgésicos para entubar e tratar os doentes. E a falta de materiais de proteção provocou a morte de grande número de profissionais da saúde fazendo com que, em 12 de maio, o Brasil comemorou o Dia Internacional da Enfermagem como o primeiro país do mundo em mortes de enfermeiras e enfermeiros em decorrência do novo coronavírus,  superando Estados Unidos, Espanha e Itália juntos, o que representa cerca de 38% do número de óbitos desses profissionais em todo o mundo.

Com o presidente Jair Bolsonaro agindo como aliado do vírus, o Brasil não só perdeu a oportunidade de ouro de confirmar sua competência reconhecida internacionalmente no enfrentamento anterior de epidemias. Acabou se transformando no líder mundial em mortes de profissionais da saúde e no país que disputa com os Estados Unidos a pior posição no combate à pandemia. E, de quebra, a Covid 19 continua se alastrando quando já poderia estar em acelerado refluxo e sob controle.

FONTE/CRÉDITOS: g1.globo.com /www.vermelho.org.br / Dermeval Saviani /Fonte: Jornal A Fonte
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