Os (as) trabalhadores (as) da Cetrel foram representados pela direção do sindicato junto com o advogado da entidade, Eduardo Sampaio, na tarde desta terça-feira (25) no Ministério Publico do Trabalho (MPT) para tentar destravar a negociação do Acordo Coletivo de Trabalho (2025/2027). A busca pela mediação junto ao órgão é sempre uma tentativa para construir caminhos dentro de um processo de negociação entre a representação dos (as) trabalhadores (as) e a parte empregadora.
A reunião novamente expôs o impasse entre as partes, especialmente em torno de duas cláusulas centrais para os (as) trabalhadores (as): a limitação mensal da cobrança da coparticipação no plano de saúde e a implantação da cesta básica, o que já ocorre inclusive em empresas terceirizadas que prestam serviço à Cetrel.
Em relação à coparticipação, a Cetrel finalmente apresentou uma proposta, após meses de intransigência, oferecendo limitar os descontos em 15% da remuneração. A direção do Sindicato reconheceu em mesa que isso representa um pequeno avanço, já que até então a empresa se recusava a discutir qualquer limite. No entanto, a direção da Cetrel condicionou o avanço à obtenção de “segurança jurídica” em relação a eventuais problemas nas declarações de imposto de renda de pessoa física, caso o modelo de limitação seja adotado, já que poderia haver uma discrepância entre o que o trabalhador efetivamente pagou de coparticipação e a informação do plano de saúde enviaria para a Receita Federal. Diante disso, a direção do sindicato se comprometeu em realizar um levantamento, tomando como referência empresas como a Embasa, que já pratica esse modelo, para entender como elas mitigam eventuais riscos fiscais, de todo modo o sindicato já sinalizou que se isso for um problema que se pode ajustar os pagamento para ocorrer dentro do mesmo ano fiscal.
A empresa também afirmou temer que a limitação possa gerar acúmulo de dívidas dos empregados, criando, segundo sua própria expressão, uma “bola de neve” para quem utiliza o plano de saúde. O sindicato rebateu essa preocupação e sinalizou que é possível construir um mecanismo progressivo que evite o endividamento, garantindo ao mesmo tempo o controle da coparticipação e a segurança financeira dos trabalhadores.
Quanto ao tema cesta básica a postura da Cetrel foi de intransigência. A empresa reiterou que não implantará o benefício, alegando que já oferece alimentação de qualidade aos seus funcionários dentro das suas instalações. Essa justificativa foi fortemente contestada pelo sindicato, que denunciou que a Cetrel é a única grande empresa do Polo Petroquímico de Camaçari que não paga cesta básica aos seus trabalhadores, isolando-se de todas as demais organizações que atuam no Polo Petroquímico de Camaçari e aprofunda desigualdades internas no setor. Para o sindicato, a negativa da empresa desrespeita a categoria e demonstra falta de compromisso com a valorização dos (as) seus (as) trabalhadores (as).
Ao final da audiência, Cícero Virgulino, Procurador Regional do Trabalho (MPT) agendou um novo encontro para o dia 10 de dezembro de 2025. Até lá, o sindicato buscará dialogar novamente com a empresa para azeitar a redação da cláusula sobre a limitação da coparticipação e realizará assembleias com a categoria para decidir os próximos passos da campanha salarial.
O Sindae reforça que seguirá firme, denunciando a postura retrógrada da empresa e defendendo um acordo coletivo que garanta dignidade, proteção e valorização aos(às) trabalhadores(as) da Cetrel.


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