O governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL), aliado aos empresários, conseguiu derrotar a proposta feita pela bancada dos trabalhadores, formada por representantes da CUT e centrais, de pagar mais duas parcelas do seguro-desemprego aos trabalhadores e trabalhadoras demitidos na pandemia,entre 20 de março e 31 de julho deste ano, que tiveram esgotadas as parcelas normais do benefício. Foram 12 votos contrários e 6 a favor, durante reunião do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), nesta quarta-feira (4).
Como o Codefat é formado por 18 conselheiros, sendo 6 da bancada do governo, 6 do empresariado e 6 dos trabalhadores, a união de forças entre governo e patrões colocou por terra a possibilidade do pagamento das parcelas extras do seguro-desemprego.
A medida beneficiaria 2,76 milhões de pessoas que não conseguiram um novo emprego diante da crise econômica aprofundada pela pandemia do novo coronavírus (Covid -19). Em média, cada um receberia 2,4 salários mínimos (R$ 2.508) e injetaria na economia cerca de R$ 7,3 bilhões.
O governo nem mesmo colocou em votação a proposta que vinha sinalizando de pagar de três a cinco parcelas de R$ 600 apenas aos trabalhadores que não tiveram direito ao seguro-desemprego, nem ao auxílio emergencial. Em contrapartida apresentou uma recomendação genérica ao Ministério da Economia, sob o comando do banqueiro Paulo Guedes, que elabore propostas de medidas ativas para o mercado de trabalho, sem especificar de que forma isso seria feito.
Para o economista do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clovis Scherer, que assessora o representante da CUT no Codefat, Quintino Severo, o impacto social para os trabalhadores será imenso.
“Os R$ 7,3 bilhões iriam para o consumo e embora este valor não impacte profundamente a economia, para o trabalhador que está desempregado é uma perda muito grande”, diz Scherer.
Clóvis e Quintino defenderam em artigo publicado nessa terça (3), que o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) tem recursos disponíveis em aplicações financeiras para custear esse benefício, sem afetar sua capacidade de financiar investimentos e programas de geração de emprego.
Mas, apesar desta defesa, o governo Bolsonaro, que adota uma política neoliberal econômica, mais uma vez deu as costas ao trabalhador desempregado.

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