Aguarde, carregando...

Sábado, 29 de Agosto 2026
Brasil

Formação deve ser central no processo organizativo da CUT, apontam sindicalistas

Mais de 60 representantes das escolas sindicais se reuniram

Formação deve ser central no processo organizativo da CUT, apontam sindicalistas
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
GOOGLE Não perca nossas próximas notícias

Adicione nosso site às suas fontes preferidas para acompanhar nossas notícias. 📰

Mais de 60 representantes das escolas sindicais, secretarias estaduais e nacional de formação da CUT, dos ramos e convidados se reuniram virtualmente nesta quinta-feira (18) no “Seminário Nacional de Devolutiva dos Seminários Regionais sobre o tema Organização e Representação Sindical de Base da Central”.

Após ouvir trabalhadores e trabalhadoras, do campo e da cidade, do setor público e privado, das cinco regiões do país, os coordenadores das escolas sindicais da CUT (Chico Mendes, Sul, Nordeste, 7 de Outubro, Centro Oeste e São Paulo) e os dirigentes da entidade trouxeram os resultados dos debates locais e apresentaram os desafios e propostas de ações de organização e representação sindical para contribuir com o Plano Nacional de Formação.

A rede nacional foi unânime ao apontar a formação como eixo central no processo organizativo da CUT para o próximo período, levando em conta as experiências vividas na pandemia, as resoluções do 13º Congresso da CUT e pensando nas “novas” relações de trabalho, que ficaram mais expostas com o isolamento social e que serão potencializadas no pós-pandemia.

Publicidade

Leia Também:

“Os representantes das escolas sindicais, da CUT nos estados, dos ramos e nossa equipe da nacional, que formam a rede nacional de formação, destacaram a importância da formação como espaço na construção coletiva do Plano de formação no eixo da política organizativa e representação sindical. E tudo isso levando em consideração também os temas transversais, como gênero, raça e comunicação”, explicou a secretária Nacional de Formação da CUT, Rosane Bertotti.

Segundo ela, o Seminário Nacional superou todas as expectativas e mostrou a rede de formação não perdeu a sintonia e nem a forma humanizada de trabalhar. Ela conta que foram 4 horas de debates com afeto e acolhimento, “que enriqueceram o debate, sem contar todo o relato de que conseguimos trazer nossas experiências presenciais para o formato digital de forma espontânea e com isso foi possível perceber que as novas tecnologias podem sim ser usadas para gente se articular e construir esta formação sindical que a gente tanto precisa”.

Durante o seminário, teve músicas, poesias e muita alegria com místicas da artista Susi Monte Serrat, mas também teve muita emoção. A secretária de Organização e Política Sindical, Maria das Graças Costa, iniciou sua participação contando sobre a morte de seu pai, vítima da Covid-19, e de quem ela nem pode se despedir.

Graça contou que sentiu na pele o que milhares de trabalhadoras e trabalhadores estão sofrendo com a perda de familiares nesta pandemia e falou sobre as dificuldades que boa parte da população passa neste momento, em relação à saúde e ao trabalho.

Mesmo em luto pelo pai e pela morte de milhares de brasileiros e brasileiras, a dirigente da CUT e todo o movimento sindical não pararam de lutar pela vida e pelos direitos dos trabalhadores de todo país, porque, segundo ela “os desafios são enormes e atividades como o seminário de formação são fundamentais para a organização da classe trabalhadora que vai precisar encarar os desafios já impostos no isolamento social e também do que estar por vir depois que a pandemia passar”

“A classe trabalhadora deve se organizar e se formar para enfrentar todos os desafios, considerando todos os ataques aos seus direitos, desde o golpe de 2016, a pandemia e o pós-pandemia, que trouxeram e trazem cada vez mais a precarização, o desemprego e ainda insistem em acabar com a relação trabalhador e sindicato”, afirmou a dirigente.

Segundo ela, o vírus escancarou a desigualdade e a precarização, mas ao mesmo tempo deu oportunidade do movimento sindical se inovar, com assembleias virtuais, e é ai, aponta ela, “que entra a formação”.

“A formação deve ser o norte para tudo, para os sindicatos, para a estrutura sindical, para acolher trabalhadores precarizados e até para os dirigentes sindicais se inovarem para a luta de classes”, disse Graça, que complementou: “A gente viu que com a internet podemos chegar mais longe, rompermos limitações e a secretaria de Organização e Política Sindical discutirá o plano de trabalho usando as referências da Formação e terá com um dos principais objetivos estreitar as relações”.

Rosane lembrou que este é o terceiro seminário do 20° ENAFOR, sendo que os dois primeiros processos de construção desse encontro também trouxeram elementos centrais para debater o projeto político organizativo.

A dirigente ainda ressaltou serão organizados mais dois encontros para discutir os temas “Como derrotar a coalizão de forças golpistas, defender os direitos, a democracia e a soberania nacional” e “Como intensificar a luta pelo desenvolvimento sustentável com soberania popular, igualdade e valorização do trabalho”.

“Todas estas atividades fazem parte do processo rumo ao 20º Enafor, que não tem data ainda, por causa do isolamento social, mas será de forma presencial. O resultado de todo este processo resultará no Plano Nacional de Formação da CUT”, explica a dirigente.

Debates das regiões

A gestão dos debates do Seminário Nacional foi feito pelo coordenador da Escola Sul, Celso Woyciechowski e foi a Região Norte que começou as devolutivas. Os nortistas e as nortistas estão fazendo um processo de escutatória da pandemia, que é ouvir a classe trabalhadora da região, com reuniões, seminários regionais, estaduais e sub-regionais e fazendo um mapeamento da rede de formação da Região.

O diretor executivo e coordenador da Escola Norte, Rogério Pantoja, contou que a “Jornada de Formação e de Trabalho Base - Diálogos entre Chico Mendes e Paulo Freire: Terra, Trabalho e Educação Popular para o Bem Viver” está acontecendo na Amazônia e tem como objetivo conhecer quem são as trabalhadoras e os trabalhadores na Amazônia, porque é preciso ir além de números, saber quem são, onde vivem e quais são seus projetos de futuro, sem abrir mão da defesa dos povos da floresta e nem do legado de Chico Mendes.

“A experiência que estamos vivenciando na Amazônia com a Jornada é uma experiência desafiadora e muito empolgante. Ao final dela, esperamos apresentar uma contribuição da Amazônia para a luta dos trabalhadores, para a organização e representação sindical da CUT e para nossa Rede de Formação”, afirmou.

A coordenadora-Geral da escola sindical Centro-Oeste (ECO-CUT), e secretária-adjunta de Formação da Central, Sueli Veiga, disse que a Região traz para a CUT desafios extremos, porque neste local existe um cenário de concentração de terras, que são exploradas, envenenadas e com intensa violência no campo.

“É fundamental que a gente entenda que os desafios ECO-CUT passam pela reafirmação da construção pedagógica da Escola ao longo desses 27 anos, na defesa da democracia e os direitos, no fortalecimento do projeto organizativo da CUT, na contribuição para a formação de base, ampliação dos espaços de participação dos trabalhadores e trabalhadoras rurais, setor privado, mulheres, jovens, pessoas com deficiência, LGBTQI+ e indígenas”, ressalta.

A coordenadora da Escola São Paulo, Telma Aparecida Andrade Victor disse que discutir estratégias de fortalecimento da organicidade da Central requer relembrar a história de lutas dos sindicatos frente a todo retrocesso, em especial a retirada de direitos.

“Nossa política de formação tem sido construída e fortalecida nos últimos anos, aprovada em nossos congressos e conferências. Este tem sido o norte, para orientar a nossa luta em defesa dos direitos."

Já o coordenador da Escola Nordeste, Josivaldo Martins, disse que neste momento o 20º ENAFOR ganha mais importância por garantir de maneira coletiva a construção do Plano Nacional de Formação da CUT, sobretudo num momento em que a os efeitos da crise econômica, política e social atinge com maior espectro a classe trabalhadora.

“A Escola Nordeste se mantém firme no propósito de contribuir para a construção de uma sociedade justa, fraterna e igualitária.  E a formação é um dos instrumentos que temos para efetuarmos a transformação social", afirma.

Para Celso, da Escola Sul e que coordenou os debates, o seminário mostra que para avançarmos na organização sindical CUTista é preciso se desafiar a aprofundar a organização no local de trabalho, o que irá resultar numa maior representatividade nas categorias. “E, ao menos tempo, não podemos ignorar a realidade dos trabalhadores informais e de plataforma, que também devem estar no foco de nossa ação sindical", afirma.

O secretário de formação da CUT Minas Gerais e coordenador geral do Sindieletro-MG, Jefferson Leandro Teixeira da Silva (Jefinho), falou pela Escola 7 e disse da importância que a formação tem para os dirigentes sindicais dos sindicatos e ramos da CUT e da sociedade em geral, sobretudo dos trabalhadores que não estão organizados e que estão se submetendo a novas relações de trabalho.

“Tudo isso ficará mais exposto no pós-pandemia e isso traz para a formação a tarefa de compreender criticamente essa realidade e de construir subsídios para as ações concretas no combate à precarização da vida e do trabalho”, finaliza.

FONTE/CRÉDITOS: CUT
Blog do Trabalhador

Publicado por:

Blog do Trabalhador

Saiba Mais

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!