O coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros e Petroleiras (FUP), Deyvid Bacelar, disse nesta sexta-feira (13/2) que neste Carnaval a categoria petroleira vai reforçar o pacto contra o feminicídio proposto pelo presidente Lula e pela primeira-dama Janja no início deste mês. “É inadmissível que tenhamos uma média de quatro mulheres sendo assassinadas diariamente em nosso país. Graças à influencia da primeira dama e à sua capacidade de diálogo com os movimentos sociais, essa pauta está finalmente sendo abraçada pelos homens em todo o Brasil”, disse Bacelar.
O líder sindical defendeu também que as convenções coletivas de trabalho precisam incluir a questão do respeito à diversidade e do combate à violência contra a mulher em suas pautas de negociações. “Na FUP, o debate tem sido muito presente entre petroleiros e petroleiras. Na última negociação coletiva, durante a greve nacional na Petrobras, conseguimos avançar na pauta do respeito à diversidade, no combate à opressão e principalmente no combate à violência contra a mulher. É bom destacar isso, porque fica o exemplo para outras categorias que estão fazendo negociações coletivas, esses temas precisam aparecer nos acordos coletivos de trabalho, porque essa é uma luta de todos em defesa das mulheres”, ressaltou.
O coordenador da FUP lembrou que, não somente devido à grande concentração de pessoas, mas principalmente devido à cultura machista, muitos homens ultrapassam limites e cometem assédio sexual, entre outros crimes durante o Carnaval. Em 2025, o Brasil atingiu um novo recorde de feminicídios, superando os números de 2024 e consolidando uma trajetória de aumento na última década. Dados preliminares indicam que cerca de 4 mulheres foram assassinadas por dia em 2025 por razões de gênero. De acordo com levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e Anuário Brasileiro de Segurança Pública, ocorreram 1.470 casos de feminicídio em 2025, um recorde desde a tipificação do crime em 2015. O número pode ser ainda maior, pois estados como SP, MG e RJ ainda não haviam consolidado os dados de dezembro no momento da apuração.
O ano de 2024 fechou com aproximadamente 1.492 feminicídios (segundo o Anuário de Segurança Pública) ou 1.450 (segundo o Ministério das Mulheres), representando um aumento em relação a 2023. Segundo os dados, 64% das vítimas são mulheres negras; 70% das vítimas tinham entre 18 e 44 anos; 64% dos crimes ocorrem dentro de casa; 90% a 97% dos agressores são companheiros ou ex-companheiros; 48% usaram arma branca (faca) e 23% arma de fogo.
Entre as principais causas do feminicídio (assassinato de uma mulher cometido por razões de gênero, ou seja, pelo fato de ser mulher”, estão a cultura de misoginia e patriarcado: a objetificação da mulher e a crença de que ela é propriedade do homem, resultando em crimes por inconformidade com o término de relacionamentos. O contexto é sempre parecido: a maioria dos casos ocorre dentro de casa por parceiros íntimos, sendo o desfecho de um ciclo de violência física, psicológica e patrimonial.

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