Blog do Trabalhador - Notícia no tempo certo

Domingo, 31 de Maio de 2026

Notícias/Brasil

Bolsonaro monitora greves e corta salários em mais um ataque aos servidores

Medida do Presidente prevê desconto imediato de dias parados em casos de greves e paralisações

Bolsonaro monitora greves e corta salários em mais um ataque aos servidores
IMPRIMIR
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando

O presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL) ataca mais uma vez os direitos dos servidores públicos federais. Desta vez, ele quer impedir os servidores de lutar por melhores salários e condições de trabalho. Uma instrução normativa do governo federal, de maio deste ano, colocada em prática agora, prevê o monitoramento de movimentos grevistas dos servidores e desconto dos dias parados.

É evidente que tanto Bolsonaro quanto seu ministro da Economia, Paulo Guedes, transformaram os servidores públicos em seus alvos principais, afirma Sérgio Ronaldo da Silva, Secretário-Geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras no Serviço Público Federal (Condsef).

“Cada dia fica mais caracterizado o que Guedes falou sobre os servidores, que ia colocar uma granada no bolso do inimigo”, afirmou o dirigente em referência à declaração do ministro, dada em uma reunião ministerial no dia 22 abril de 2020, quando anunciou a proposta de suspender por dois anos os reajustes salariais de servidores públicos.

Publicidade

Leia Também:

“O funcionalismo, no entanto, não vai se intimidar, continuará fazendo greve sempre que for necessário”, avisa o dirigente que está estudando providências no âmbito jurídico junto as organizações que defendem o setor e com partidos políticos como o PT.

Monitoramento de greve

Pelo sistema de controle implantado pelo governo Bolsonaro, que é on-line, órgãos públicos deverão informar ao governo sobre as greve e trabalhadores que aderirem terão os dias parados descontados de seus salários. A medida afeta todos os órgãos da administração pública direta, como ministérios, agências reguladoras e até mesmo universidades, que possuem autonomia.

O texto da instrução normativa diz: "Constatada a ausência do servidor ao trabalho por motivo de paralisação decorrente do exercício do direito de greve, os órgãos e entidades integrantes do Sipec -Sistema de Pessoal Civil da Administração Federal - deverão processar o desconto da remuneração correspondente".

Para o secretário Geral da Condsef, a medida não é necessariamente uma novidade. Ele explica que ataques como este são característicos do governo Bolsonaro, que flerta com o autoritarismo e atua para que suas decisões sejam impostas à sociedade brasileira.

“Desde 2019, quando assumiu a presidência, ele vem atacando direitos com medidas provisórias, decretos, instruções normativas, atropelando todo e qualquer processo democrático. Isso é autoritarismo e Bolsonaro é assim porque não tem capacidade de lidar com o contraditório”, critica o dirigente.

É perseguição, diz Dieese

Em entrevista ao Jornal Brasil Atual, Fausto Augusto Junior, diretor técnico do Dieese reforçou que a instrução normativa “é mais uma das ações de perseguição ao movimento sindical, que precisam ser coibidas e enfrentadas”.

Ele lembra também os sindicatos são “bases da democracia e precisam ser protegidos, com direitos garantidos. E um deles, certamente, é o direito de greve”.

Fausto Augusto Junior lembra que costumeiramente as paralisações no setor público são sucedidas por negociações sobre o desconto ou reposição dos dias parados.

“Quando tem um mecanismo automático, o que a gente vê é muito mais do que uma questão meramente administrativa. Trata-se de uma questão política”, ele disse.

Sérgio Ronaldo, da Condsef, lembra ainda que o direito de greve dos servidores públicos foi garantido na Constituição de 1988, mas desde então não foi regulamentado. O Supremo Tribunal Federal (STF), já teve o entendimento de que se aplicam ao setor público, as mesmas regras da iniciativa privada.

O que fazer?

Assim como cita Fausto Augusto Jr, do Dieese à Rede Brasil Atual, Sérgio Ronaldo também afirma que o momento é de não deixar enfraquecer a mobilização dos trabalhadores. Em especial em ano pré-eleitoral.

Não tem outra saída. O ideal seria que o presidente da Câmara [Arthur Lira, PP-AL] tivesse a decência de pautar o impeachment de Bolsonaro, mas se depender da vontade do parlamento, ficamos em desvantagem. Por isso a mobilização é fundamental para virar o jogo em 2022
- Sérgio Ronaldo da Silva

Momento grave

Não é novidade que a conduta de Bolsonaro tem desestabilizado o sistema político do Brasil e isso resulta em desequilíbrio social ainda maior do que o país já vinha enfrentando desde o governo do golpista Michel Temer, responsável por implementar a política de destruição que se exacerba com Bolsonaro.

Seu governo a cada dia se deteriora mais, por conta dos mais diversos fatores como o fracasso no enfrentamento à pandemia, a caótica condução da economia que tem resultado em aumento do desemprego, empobrecimento da população e no descontrole dos preços de alimentos e combustíveis.

Esse enfraquecimento, refletido nas pesquisas de opinião que mostram aumento na taxa de rejeição do presidente. Segundo Sérgio Ronaldo, este quadro é que faz com que Bolsonaro flerte cada vez mais com o autoritarismo característico dos anos de chumbo no Brasil, - a ditadura militar (1964/1985).

“O momento é realmente grave. O DNA de Bolsonaro é esse. Ele não tem nenhum pudor em fazer tudo que faz. O governo está atolado de militares. Bolsonaro já colocou mais de 11 mil no governo. Pelo menos seis mil destes cargos deveriam estar ocupados por civis e não por militares”

O autoritarismo está no DNA de Bolsonaro e dos homens de farda verde-oliva. O Estado está tutelado por eles. É um resquício de 1964
- Sérgio Ronaldo da Silva

Por outro lado, diz o dirigente, Bolsonaro, enquanto ataca a democracia, usa dinheiro público para promover manifestações em seu favor. Em reportagem da Folha de SP, a Secretaria de Segurança Pública do estado (SSP/SP), afirma que os custos das manifestações feitas pelo presidente em cidades paulistas já superam R$ 1,2 milhão.

“Ao invés de visitar hospitais e se solidarizar com famílias de vítimas, Bolsonaro faz aglomerações, não usa máscara, gasta dinheiro público e assim prova que não está ‘nem aí’ para os brasileiros”, diz o dirigente que completa: “ele não entende de economia, de país, de nada. O motoqueiro só entende de fazer estripulias como faz. E é preciso reagir a isso, senão não sobrará pedra sobre pedra’.

FONTE/CRÉDITOS: Portal CUT
Comentários:
+colunistas

Publicado por:

+colunistas

Lorem Ipsum is simply dummy text of the printing and typesetting industry. Lorem Ipsum has been the industry's standard dummy text ever since the 1500s, when an unknown printer took a galley of type and scrambled it to make a type specimen book.

Saiba Mais

Veja também

Sindipetro Bahia
Sindipetro Bahia