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*:::: Gal para sempre Gal! :::*
No dia 9 de novembro a nossa Gal tomou aquele velho navio e se foi. Aliás, ela não se foi, ela era mutante, assumia a cor do mar, a cor da mata, nunca precisou de muito dinheiro para viver e ser a figura estonteante e rebelde, impulsionada por uma voz inigualável. Gal, a baianinha de Salvador, quando veio para o mundo não atinava em nada, mas logo passou a frequentar o Gantois, o Rio Vermelho, Itapuã, ensinava ao mundo como fazer vatapá, e já se insurgia contra os padrões morais sustentados à força por uma ditadura militar que calou a muitos e muitas por medo, exílio, tortura, morte.
Gal apesar do seu posicionamento firme contra o regime conseguiu seguir viva, embalar, acarinhar e alimentar com sua voz a esperança dos lutadores e lutadoras com suas canções iluminadas de sol. Ela escolhia à época canções entre os autores exilados pelo AI5, e cantava como se soprasse nos seus ouvidos que era preciso estar atento e forte, e que não havia tempo para temer a morte.
No álbum lançado em 1967, “Domingo” em parceria com Caetano Veloso, além de contestar o regime também desafiava a velha e hipócrita moral vigente: em um dos shows ela pôs os divinos seios à mostra, fazia poses sensuais apenas para mostrar a insurgente que era apesar de não ser militante política. Ela dizia “Soltei os panos, sobre os mastros no ar, soltei os tigres e os leões, nos quintais, mas as pessoas na sala de jantar, são ocupadas em nascer e morrer”. Você não, Gal, você nunca esteve ocupada em morrer: você partiu naquele velho navio, mas antes nos mandou plantar folhas de sonho no jardim do solar, e, assim como as folhas sabem procurar pelo sol, nós buscaremos suas canções iluminadas de sol, e viajaremos para bem longe da velha sala de jantar.
Uma homenagem do SINDJUFE-BA à nossa eterna Gal Costa.
*SINDJUFE-BA- Gestão Unidade na Resistência!*
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