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Sábado, 29 de Agosto 2026
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Sindicato Nacional dos Aeroviários aciona TST para evitar 3.810 demissões na Azul

SNA diz que Azul encerrou negociações sem discutir pauta dos trabalhadores

Sindicato Nacional dos Aeroviários aciona TST para evitar 3.810 demissões na Azul
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A empresa Azul Linhas Aéreas demitiu desde junho deste ano mais de 1.000 (mil) trabalhadores e trabalhadoras que atuam nas operações em solo (aeroviários) nos aeroportos do país, alegando crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19), que derrubou o número de passageiros.

O objetivo da empresa é demitir até o final do ano 3.810 trabalhadores , segundo o Sindicato Nacional dos Aeroviários  (SNA).

Com o agravamento da crise econômica e o medo que os trabalhos têm de perder emprego, a Azul quis levar vantagem e discutir com o SNA, que representa 2 mil dos 8 mil trabalhadores da companhia, apenas os itens por ela apresentados no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), sem colocar em discussão a pauta apresentada pelo sindicato da categoria. Como não houve acordo, a companhia, por e-mail, anunciou unilateralmente o fim das negociações.

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A pauta do SNA a ser encaminhada para todas as empresas aéreas foi respaldada em assembleia virtual realizada entre os dias 11 e 13 de junho, pelos trabalhadores e trabalhadoras de todo o país.

A definição das cláusulas foi resultado de amplo debate com a categoria, que resultou em aprovação de 96% dos aeroviários que participaram da votação. Apesar do alto índice, a Azul Linhas Áreas se recusou a dar continuidade as tratativas de acordo e encerrou as negociações.

Diante dos desmandos da companhia aérea, o SNA, mesmo não representando todas as bases em que estão ocorrendo essas demissões (em suas bases foram até agora 300), decidiu acionar o Tribunal Superior do Trabalho (TST) para que a Corte possa mediar as negociações entre a Azul e os trabalhadores.

No ofício enviado ao TST, o Sindicato Nacional dos Aeroviários alerta para o medo e o clima de tensão em que vivem os trabalhadores, especialmente os mecânicos, o que pode comprometer a segurança dos voos da companhia.

“Imagine como está a cabeça de um mecânico que teve redução de jornada e salário, ou teve suspensão de contrato de trabalho? Será que ele vai ter condições psicológicas para realizar dignamente sua atividade, já que está preocupado com a própria saúde e as contas que não tiveram valores reduzidos como seus salários?, questiona Patrícia Gomes, porta-voz e coordenadora da região Sul do SNA, se referindo as medidas do governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL), que, a pretexto de garantir os empregos, que não estão sendo garantidos, como mostra o caso da Azul, autorizou redução de jornada e salários e suspensão do contrato de trabalho.

A porta-voz diz que o sindicato está sensível à situação da Azul diante da pandemia, mas a companhia não pode se valer da crise para atropelar direitos e precarizar as relações de trabalho duramente construídas ao longo dos anos.

Questionada por alguns trabalhadores porque não convoca mais uma assembleia para discutir a atual proposta da Azul, a porta-voz diz que o SNA se recusa a discutir o desmonte à legislação trabalhista e à Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria, que a Azul propõe.

“Numa das cláusulas do acordo individual, que a Azul tenta fazer o trabalhador assinar que ele perderá todo e qualquer direito de pedir futuramente indenização trabalhista se se sentir prejudicado. Ou seja, ele pode ser demitido em três meses e não poderá nem reivindicar horas extras não pagas anteriormente ao acordo assinado”, explica Patrícia.

Por essa decisão autoritária de suspender as negociações, o SNA orienta todos os trabalhadores a não fecharem acordos individuais com a Azul, pois neste caso eles estarão correndo vários riscos, como por exemplo, no caso da Licença Não Remunerada (LNR), cuja proposta apresenta remuneração que não garante condições mínimas de sustento e o Plano de Demissão Voluntária (PDV), que sugere cláusulas que são consideradas um verdadeiro retrocesso à legislação trabalhista, segundo avaliação da assessoria jurídica do SNA.

Representantes do Sindicato pedem que trabalhadores entrem em contato diretamente com o coordenador sindical local ou acionem o canal jurídico no e-mail [email protected]. Também é possível participar do grupo de Telegram da Azul Linhas Aéreas, administrado pelos diretores do SNA.

Outros acordos

O SNA já fechou ACT com a Latam Linhas Áreas e espera que a mediação no TST possibilite à Azul a mesma coerência em sua postura.

As previsões para o setor da aviação civil em julho apontam retomada nas demandas de voo, apesar do estado de calamidade pública em nível mundial, causado pela pandemia da Covid-19, seguir mantido.

Com base nisso, dirigentes sindicais pedem à companhia aérea que reveja seu posicionamento e entenda que os profissionais não devem ser visto como um custo, mas como responsáveis pelo funcionamento da organização.

“Entendemos que a pandemia gerou uma grande queda no setor e por isso nos colocamos disponíveis à negociação de um Acordo Coletivo com as empresas. Mas o Sindicato Nacional dos Aeroviários não vai permitir que os profissionais que atuam nos aeroportos de suas bases arquem sozinhos com todos os prejuízos sofridos pela aviação civil. Trabalhadores e trabalhadoras precisam garantir o sustento de suas famílias e passar por este período em condições minimamente dignas”, declara a porta-voz e diretora do SNA, Patrícia Gomes.

FONTE/CRÉDITOS: CUT
Blog do Trabalhador

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