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Sábado, 29 de Agosto 2026
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Petrobrás comemora recorde de produção, mas população continua pagando preços abusivos

Política de preços praticada pela gestão da empresa segue ignorando custos nacionais

Petrobrás comemora recorde de produção, mas população continua pagando preços abusivos
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“Se a produção de petróleo e derivados aumentou utilizando basicamente petróleo produzido no Brasil, por que os brasileiros continuam pagando preços dolarizados?”, é o questionamento do coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, ao se deparar com o relatório de produção e venda da Petrobrás do primeiro trimestre de 2022, divulgados pela companhia na última quarta-feira, 27.

No documento liberado, a empresa comemora recordes na produção de óleo e gás em campos do pré-sal, além de “recorde de 56% de participação de diesel S-10 na produção total de diesel” e “novo recorde de processamento de óleo pré-sal”. O relatório também anuncia o início da produção de dois novos poços no campo de Roncador, na Bacia de Campos, e o aumento do Fator de Utilização (FUT) nas refinarias.

Para a FUP, a política de preços adotada pela Petrobrás em outubro de 2016, no governo do ex-presidente Michel Temer, segue ignorando os custos nacionais de produção e dolarizando os preços dos derivados do petróleo. Deyvid Bacelar lembra que, enquanto a gestão da Petrobrás mantiver o Preço de Paridade de Importação (PPI), a população seguirá pagando a conta dos acionistas.

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“Socializamos os investimentos e privatizamos os lucros. Quem paga os dividendos para os grandes fundos de investimentos nacionais e internacionais é o povo. Por trás do super lucro está o PPI, com reajustes dos combustíveis com base nas cotações internacionais do petróleo, variação cambial e custos de importação de derivados, mesmo o Brasil sendo autossuficiente em petróleo”, afirma.

O constante aumento dos combustíveis teve o maior impacto em um dos índices que mede a inflação, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15) de abril, com alta de 7,51%. A elevação no preço dos combustíveis teve influência no custo de demais produtos, principalmente alimentícios, levando a inflação ao maior patamar desde 1995. Enquanto isso, tudo indica que a Petrobrás continuará obtendo super lucro, enriquecendo seus acionistas, como observa Henrique Jäger, consultor da FUP e pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).

“O aumento da produção, tanto de petróleo quanto de derivados, e a manutenção da política de internacionalização dos preços cobrados dos brasileiros, deve garantir um lucro recorde para a Petrobrás no primeiro trimestre deste ano. Se a política atual não for alterada, vamos ter mais uma distribuição recorde de dividendos referente ao ano de 2022”, afirma Jäger.

A Petrobrás também coloca em sua nota que há investimentos no parque de refino da companhia. Mas, segundo análise dos pesquisadores do Ineep Mahatma Ramos dos Santos e Rafael Rodrigues da Costa sobre o Relatório de Produção e Vendas Petrobras no 1T/2022, a venda da Refinaria Landulpho Alves (RLAM) afetou negativamente a capacidade produtiva da Petrobrás neste 1° trimestre de 2022. Houve queda de 5,2% na produção de derivados no trimestre, quando comparado ao mesmo período do ano anterior, e a produção total de derivados caiu de 1,82 milhão de barris por dia para 1,72 milhão.

“Essa redução está diretamente relacionada à venda da RLAM, atual Refinaria Mataripe (BA), que detém a segunda maior capacidade de refino do país. Nem mesmo operando com sua capacidade ‘máxima possível dentro de condições seguras’ a Petrobrás conseguiu compensar o efeito negativo da sua decisão política de sair do refino na Bahia”, observa o estudo.

O documento também mostra que o desempenho operacional da empresa no período reafirma a importância do segmento do refino para a Petrobrás, lançando dúvidas sobre a política de desinvestimentos em curso. De acordo com o documento do Ineep, apenas em 2021 a estatal se desfez de três refinarias e pretende, até 2026, vender outras três. Essas negociações diminuiriam, segundo a própria Petrobrás, a capacidade de seu parque de refino. Essa estratégia, aponta o estudo, “deve expor ainda mais a empresa à maior volatilidade em relação aos preços internacionais, além de ampliar os riscos de desabastecimento do mercado interno e, por conseguinte, elevar os preços médios para o consumidor final, como já acontece na Bahia”.

FONTE/CRÉDITOS: FUP
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