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Sexta-feira, 17 de Abril de 2026

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Grito da Água tem recorde de público e renova a luta contra a privatização

Ao término, na Praça Castro Alves, lideranças fizeram discursos com palavras de ordem ressaltando a importância do Dia Mundial da Água

Grito da Água tem recorde de público e renova a luta contra a privatização
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Na última sexta-feira (20) as ruas do centro de Salvador foram palco do 26º Grito da Água, caminhada de luta no Dia Mundial da Água, comemorado hoje (22). Os mais de 20 mil participantes fizeram desse ato o maior da história.  

A manifestação contra a privatização da água, em defesa do meio ambiente e pelos direitos da classe trabalhadora contou com a presença dos trabalhadores (as) do saneamento ambiental, aposentados (as), movimentos populares, alunos da rede pública de ensino estadual e municipal, fanfarras, grupos artísticos, intervenção poética, samba, capoeira, afoxés, lideranças de partidos e parlamentares.

A direção do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente no Estado da Bahia (SINDAE) reconhece que foi o maior registro de participantes desde a criação do Grito da Água. Membros do Conselho Curador do Grito da Água, fórum que reúne as entidades que fazem parte do planejamento, organização e mobilização cultural, explicam que este ano, sem nenhuma dúvida, houve uma maior adesão da população que sente na pele as ameaças de privatização do bem comum: a água.

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O espírito de luta e necessidade de dar um grito de basta às ameaças ao povo trabalhador foi fortalecido com a Frente Cultural, ala de abertura do Grito da Água, composta por representantes dos povos originários, baianas com trajes típicos, clarinetes, coletivo circense, bonecões, grupo de afoxés, que apresentou ao público presente na Avenida Sete de Setembro desde a saída da Praça do Campo Grande com destino à Praça Castro Alves, o tema escolhido pela direção do Sindicato: "Cidade das Águas: Urbano e Rural, universalizar para avançar!".

A luta contra a privatização dos serviços públicos é uma pauta necessária para quem mais precisa. Nas cidades onde houve a privatização da água, aumentou o preço da tarifa, mas não houve melhora no serviço e sim a precarização da qualidade dos serviços prestado à população.

Na Bahia, a Embasa é a maior empresa pública de saneamento básico do Brasil e através dela milhares de baianos e baianas são atendidos com abastecimento de água tratada de qualidade, coleta e tratamento de esgoto. A empresa serve 368 municípios em todo o estado e ainda impulsiona projetos públicos na garantia do direito ao saneamento básico com financiamento de programas do governo estadual e federal.

A população que vive na zona rural conta com serviço da Companhia de Engenharia Hídrica e de Saneamento da Bahia (CERB), referência nacional no setor. Os (as) trabalhadores (as) carregaram faixa pedindo o fortalecimento da empresa e por realização de novo concurso público, afinal é com serviço público forte que se oferece universalização dos direitos.

Os (as) trabalhadores em SAAE´s e da Empresa Municipal de Saneamento em Itabuna (EMASA), pediram mais transparência na negociação em andamento de que a Embasa irá assumir o controle da empresa municipal na cidade, porém, que sejam preservados os direitos conquistados por parte dos (as) trabalhadores (as).

O Sindicato está representando os trabalhadores (as) da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA) e do Instituto Do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA) e neste primeiro ano de representação sindical, vieram com a faixa pedindo "Concurso público já", para ampliar a gestão pública das águas.

A manifestação artística e cultural do Grito da Água faz parte do calendário da capital e outras iniciativas devem ser realizadas para que exigir, do estado uma agenda mais favorável aos interesses do povo trabalhador e de interesse comum. É prioritário dialogar com a população sobre as ações do estado e municípios que demonstram o compromisso com temas que impactam na vida das pessoas, como a degradação ambiental, poluição dos rios e lagoas e o sombreamento das praias decorrente da verticalização como é o caso do favorecimento desta verticalização no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU), de Salvador. É preciso apontar caminhos para mais comprometimento dos serviços públicos e áreas verdes.

 

Representantes dos Movimentos Populares apresentaram importantes bandeiras de luta. "Sem água não tem axé!", foi uma das pautas abordadas pelos povos de religião de matriz africana sobre a preservação das águas e das nascentes para a prática religiosa e lembram que o Dique do Tororó, manancial natural tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), há muitos anos teve a sua dimensão até o Largo das Sete Portas, restando o limite atual com escultura de Orixás, criadas por Tatti Moreno, e vem sofrendo constantemente ataques decorrente da intolerância  religiosa na cidade.

Para os alunos da rede pública de ensino o Grito da Água tem função pedagógica como atividade extraclasse assegurando a valorização da vivência e integralidade. As escolas participantes dispõem de uma ferramenta de tecnologia social para que o aluno construa vínculos comunitários no sentido de ampliar o conceito de educação.

A presença do grupo "Korango Inclusão PCD" trazendo pessoas com algum tipo de deficiência foi uma novidade no Grito. Uma ala inclusiva que demanda atenção para esse público na garantia do direito de acesso à água e ao saneamento básico.

Outros eventos ligados à temática do Direito ao Saneamento Público culminaram suas atividades no 26º Grito da Água. A Confederação Nacional dos Urbanitários (CNU) promoveu encontro de Comunicação entre dirigentes e assessores dos sindicatos atuantes no setor e aprovaram na plenária estatutária a filiação da entidade à Internacional dos Serviços Públicos (ISP).

O Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (ONDAS) realizou o seu II Encontro Nacional pelos Direitos Humanos à Água e ao Saneamento (ENDHAS). O evento aconteceu na Fundação Politécnica da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e teve a presença de alunos dos cursos de Engenharia Ambiental, Urbanismo, Geografia, dentre outros para debater a política pública de saneamento na perspectiva de resolver o persistente déficit que excluem pessoas e grupos do acesso aos serviços públicos de água e esgoto.

No Centro Cultural da Câmara Municipal ocorreu a Sessão Especial "Água, um direito de todos!", presidida pela vereadora Marta Rodrigues (PT), a sessão é regimental e teve a plenária lotada com todos os assentos ocupados.

A Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Pelourinho, foi espaço de diálogo sobre a água. A celebração da missa das 18h na última terça-feira (17) tratou sobre o assunto e convocou os frequentadores para participação da luta pela diminuição da desigualdade social no acesso ao saneamento básico.

A caminhada foi acompanhada ao som do grupo Samba Dolente, que no seu repertório trouxe letras que falam sobre a preservação da água com destaque para a música "Eu e água", de Maria Bethânia, interpretada por vezes durante o percurso.

Ao término, na Praça Castro Alves, lideranças fizeram discursos com palavras de ordem ressaltando a importância do Dia Mundial da Água e do controle social para garantia do direito de acesso ao saneamento básico à população.

O Grito da Água é uma idealização histórica do Sindicato que há anos faz o enfrentamento às tentativas de privatização da água no estado nos vários governos, notadamente os governos do Carlismo. Com o crescimento do ato, novos coletivos se somaram dando origem ao Conselho Curador do Grito da Água que aborda de forma lúdica, antes do evento, com palestras nas escolas, comunidades, terreiros, igrejas e outros territórios de organização social.

Nesta segunda-feira (23) às 9h tem outra agenda de grande relevância, dessa vez, na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). Como o tema "Mulheres das Águas e o Enfrentamento do Colapso Hídrico na Bahia" a sessão promovida pelo Deputado Estadual Marcelino Galo (PT) que acontece na Sala das Comissões Herculano Menezes e Luís Cabral, importante a participação da classe trabalhadora e dos movimentos populares.

Este Grito da Água contou com representação internacional de El Salvador, Bolívia, Colômbia, Espanha e Chile, contribuindo para reafirmar a importância da participação e organização da classe trabalhadora em liderar a luta contra as privatizações da água no Brasil e no mundo.

A reunião com movimentos do Conselho Curador do Grito da Água será no dia 31 de março às 17h30 na sede do Sindae, Rua General Labatut, 65 – Barris – Salvador/Ba.

PELO FIM DA ESCALA 6X1

As frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, particiram do ato nacional pelo fim da escala de trabalho 6x1. O movimento sindical na Bahia marcou presença no Grito da Água também levando para as ruas a reivindicação pela redução da jornada de trabalho.

A classe trabalhadora precisa estar unida em torno dessa pauta pois existe vida além do trabalho e para isso a redução da jornada permite com que o trabalhador tenha oportunidade para outras prioridades como estudo, lazer, bem estar familiar, etc.

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FOTO: WALMIR CIRNE

FOTO: OLGA LEIRIA

FONTE/CRÉDITOS: Sindae
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