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Mesmo sendo convidados com antecedência para a audiência pública que discutiu a possível Abertura de Capital da Embasa e as suas consequências ao direito à água e ao saneamento, o presidente da Embasa, Rogério Cedraz, bem como o Secretário da SIHS (Secretaria de Infraestrutura Hídrica e Saneamento) não se fizeram presentes para explicar as muitas indagações e contradições que essa iniciativa acarretará para a população baiana. Ambos alegaram conflitos na agenda com outras atividades.
O evento que foi realizado de modo virtual pela Frente Parlamentar Ambientalista da Assembleia Legislativa da Bahia - ALBA, sob a liderança do deputado estadual Marcelino Galo e aconteceu na tarde de quinta-feira (25), contando com palestras de especialistas, a exemplo do Professor Luiz Moraes, o Coordenador do Observatório Nacional dos Direitos ao Acesso à Água e ao Saneamento, Marcos Montenegro, o Representante dos Trabalhadores da Embasa no Conselho de Administração, Abelardo de Oliveira, além de lideranças como Madalena Firmo - Presidenta da CUT-BA e Cleidiane Barreto- Coordenadora Estadual do MAB - Movimento dos Atingidos por Barragens. Participaram também estudantes, trabalhadores (as), a vereadora de Salvador Marta Rodrigues (PT) os ex-vereadores da capital Marcos Mendes e Gilmar Santiago e os deputados estaduais Hilton Coelho (PSOL) e Maria Del Carmen (PT).
Representado o Sindae, o Coordenador Geral Grigório Rocha, fez duras críticas à ausência de representações do governo do estado à audiência, em que classificou como falta de respeito para com os deputados (as) e a própria Assembleia Legislativa. Rocha também cobrou maior transparência da Embasa nesse processo e que se exija explicações da empresa em relação a todos os questionamentos que foram feitos na ocasião desta audiência pública que contou com a presença de representantes do Ministério Público Estadual.
Abelardo de Oliveira Filho, Representante dos Trabalhadores no Conselho de Administração da Embasa, em sua fala, reafirmou o que já vem dizendo sobre os enormes prejuízos a Embasa e para a população baiana (relembre aqui). Montenegro – Ondas - trouxe dados cabais que demonstram o insucesso das privatizações no país, apresentando o caso ocorrido em no município de Manaus e de aberturas de capitais em Minas Gerais e São Paulo. O professor de Engenharia Sanitária da UFBA Luiz Moraes, um dos maiores especialista mundial sobre a temática, parabenizou o projeto de autossuficiência energética da Embasa, mas destacou sua profunda discordância com a proposta de privatização da empresa, seja através de venda de ações ou Parcerias Público-Privadas – PPPs. Moraes solicitou que o governo do estado e seus assessores reavaliem essa posição ou só restará a judicialização: “pois não faltarão argumentos sólidos sobre isso”, disse. Também cobrou que a Embasa apresentasse para sociedade o estudo da consultoria da Ernest&Young contratado pela estatal.
Já a presidenta da CUT-BA, Madalena Firmo e a Coordenadora Estadual do MAB - Movimento dos Atingidos por Barragens Cleidiane Barreto, recordaram das suas próprias experiências de vida e como lutadoras de movimentos sociais, para destacar a importância do estado e das empresas públicas para garantir o acesso à água como direito humano.
