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No primeiro Grito da Água realizado de modo virtual, entidades reafirmaram o compromisso na luta contra a privatização da água e a degradação ambiental promovida pelo governo Bolsonaro e Rui Costa.
O evento on-line, transmitido pelas redes sociais do sindicato (Facebook e YouTube), foi apresentado por Gabriela de Toledo, que representa o Observatório de Saneamento Básico da Bahia -OSB, e pelo ambientalista e representante do Instituto Korango, Marco Pinho Sitael, sendo traduzido simultaneamente por intérpretes da linguagem de sinais (libras).
O evento, que durou 3 horas, contou com a participação de parlamentares, acadêmicos, ambientalistas, movimentos sociais, povos tradicionais, religiosos, sindicalistas e trabalhadores (as) que enviaram vídeos de vários locais do estado e de outros estados, em homenagem ao dia da água. O evento também foi abrilhantado com participações musicais e literárias que enalteceram a importância da água e da preservação dos recursos naturais.
Danillo Assunção, secretário geral do Sindae, foi o primeiro orador e iniciou sua fala manifestando total solidariedade às vítimas do coronavírus. Fez também um resumo do significado do Grito da Água, sua história e a disposição de mais luta frente à ameaça privatista do governo federal. A vereadora de Salvador Marta Rodrigues (PT), parabenizou o Sindae pela iniciativa de construção do debate sobre saneamento e falou sobre a necessidade de levar saneamento básico para as populações pobres, exaltou também as bandeiras pela preservação ambiental, vacina já e deu um grito de “Fora Bolsonaro“.
O deputado estadual Marcelino Galo (PT), presidente da Frente Parlamentar Ambientalista, trouxe o exemplo do colapso de abastecimento em São Paulo, anos atrás, para criticar a pretensão do governador Rui Costa em abrir o capital da Embasa. O deputado federal Afonso Florence (PT) fez uma retrospectiva da luta contra as MPs que culminaram na lei 14.026/20 que pretende a privatização do saneamento no Brasil. Lamentou a aprovação do “novo” marco legal, no qual vê muitas inconstitucionalidades e conclamou os movimentos sociais e populares para a luta. Lembrou ainda, citando parte da fala anterior de Danillo Assunção, do PL 496/17 que quer forjar a privatização dos mananciais. O professor Luiz Roberto Santos Moraes, incansável lutador da causa do saneamento ambiental, fez um belo discurso em defesa da salubridade ambiental e da não privatização da água “não podemos permitir a desestatização da Embasa, patrimônio do estado da Bahia”.
Renato Cunha – GAMBA, Marjorie Nolasco – UEFS, SOS Águas da Chapada, Juracy Marques – Salve as Serras, o deputado estadual (PSOL) Hilton Coelho, Zezé Pacheco – CPP que trouxe denúncias sobre a exploração de mineração na baia de Camamu que classificou de “mirabolante” e conflitos pela água em vários locais do estado com a “leniência” do governo do estado; Ruben Siqueira – CPT/SF VIV, Marli Carrara, Ana Maria Mandim, Marcos André - Petroleiros, Moisés Borges – MAB, o deputado estadual (PT) Bira Coroa e o deputado federal (PT) Joseildo Ramos, que denunciou a privatização das águas, dos mananciais e da ELETROBRÁS, além da belíssima participaçõão artística da Dagui Guizzo e Vagner Rosa com a canção Sussurro das lavadeiras.
Ano passado o Grito da Água foi suspenso pela primeira vez em 20 anos em decorrência do início da pandemia do coronavírus. O Grito, que tradicionalmente acontece próximo a data em que se comemora o dia mundial da água (22 de março), surgiu no início do ano 2000 contra a privatização da Embasa pelo governo da época, mas que ao longo dos anos tem incorporado diversas lutas populares por mais moradias, terras, liberdade religiosa, igualdades de gênero e racial, em defesa dos povos tradicionais, das minorias e pela preservação ambiental.
O Sindae parabeniza a todas as pessoas que participaram e contribuíram para que, mesmo diante de enormes dificuldades impostas pela pandemia, fosse possível a realização de mais um Grito da Água.
