Blog do Trabalhador - Notícia no tempo certo

Segunda-feira, 23 de Marco de 2026

Notícias/Fique Sabendo

O BAHIA VIROU DE 2 A 1. E OS APOSENTADOS DO TJBA?

Quando o placar final da vida não fecha: R$ 300 mil para desembargadores, insegurança alimentar para quem construiu o Judiciário baiano

O BAHIA VIROU DE 2 A 1. E OS APOSENTADOS DO TJBA?
IMPRIMIR
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando

No último sábado, 7 de março de 2026, a Arena Fonte Nova foi palco de uma virada histórica. O Esporte Clube Bahia sagrou-se campeão baiano de 2026, vencendo o Vitória por 2 a 1 com gols de Jean Lucas, conquistando sua 52ª taça estadual diante do maior público do ano no estádio. Salvador parou. As ruas celebraram. O tricolor cantou.

O SINTAJ parabeniza o Esquadrão de Aço pela conquista e compartilha da alegria de cada servidor e servidora que vibrou com a virada. Futebol é paixão, é identidade, é Bahia.

Mas há outra virada que este sindicato precisa cobrar — e essa ainda não aconteceu. É a virada de uma instituição que paga mais de R$ 300 mil mensais a alguns de seus desembargadores, conforme registrado no Portal da Transparência do TJBA referente a dezembro de 2025, enquanto os servidores e servidoras que dedicaram décadas à construção dessa mesma instituição enfrentam, na aposentadoria, dificuldades para colocar comida na mesa.

Publicidade

Leia Também:

Essa é uma derrota que nenhuma torcida celebra — e que o SINTAJ não pode aceitar em silêncio.

O PLACAR QUE ENVERGONHA

Os dados são públicos e estão disponíveis no Portal da Transparência do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia: em dezembro de 2025, alguns desembargadores receberam remunerações superiores a R$ 300.000,00. Em um único mês. Valores compostos por salário-base acrescido de verbas indenizatórias, gratificações e adicionais — os chamados penduricalhos — que burlam o teto constitucional de R$ 46.366,19.

Do outro lado desse placar, sem holofotes e sem transmissão ao vivo, encontram-se servidoras e servidores aposentados do Judiciário baiano que relatam dificuldades concretas para garantir alimentação adequada. Não é exagero. Não é figura de linguagem. São famílias reais, de profissionais que vestiram a camisa do Poder Judiciário por décadas, que hoje precisam escolher entre pagar o remédio, honrar o financiamento ou comprar alimentos.

A Emenda Constitucional nº 41/2003 extinguiu a paridade e a integralidade automáticas, rompendo o vínculo que garantia aos inativos acompanhar a evolução remuneratória dos ativos. Desde então, os proventos desses servidores são corrigidos apenas pela inflação — e ainda assim de forma defasada. Somada aos anos sem reposição da data-base prevista no artigo 258 da Lei Estadual nº 6.677, a perda acumulada do poder de compra do funcionalismo baiano chega a 62%. O aposentado que recebia, ao se afastar, um provento suficiente para uma vida digna, hoje sobrevive com menos da metade desse valor em termos reais.

A TORCIDA QUE NUNCA FOI CHAMADA AO GRAMADO

Todo torcedor sabe que um time não se constrói apenas com os titulares que entram em campo na grande final. Constrói-se com os jogadores que abriram o caminho, que disputaram as fases difíceis, que não desistiram quando o adversário parecia imbatível. São eles que tornam a conquista possível.

Os servidores aposentados do TJBA são exatamente esses jogadores. Construíram a estrutura que permite ao Poder Judiciário baiano funcionar. Digitaram, organizaram, arquivaram, intimaram, calcularam, distribuíram, atenderam. Fizeram o trabalho que não aparece nas manchetes, mas sem o qual nenhuma sentença chega ao destinatário, nenhum processo avança, nenhum direito é efetivado.

A esses profissionais, o Tribunal deve respeito. Deve reconhecimento. Deve, no mínimo, as condições básicas de dignidade na fase da vida em que as despesas médicas crescem, os remédios pesam no orçamento e a segurança financeira — que deveria ser a recompensa de décadas de serviço — foi corroída por anos de arrocho.

O AUXÍLIO – NUTRIÇÃO: UMA DEMANDA JUSTA, COM PRECEDENTES CONSOLIDADOS

A criação de um Auxílio-Nutrição destinado a aposentados e pensionistas não é proposta inédita nem utópica. Diversos tribunais brasileiros já adotam mecanismo semelhante, reconhecendo que os inativos — desprovidos de paridade automática e submetidos a décadas de defasagem — necessitam de suporte específico para garantir condições mínimas de alimentação e saúde.

O SINTAJ reitera, com urgência redobrada, o pedido de criação desse auxílio pelo TJBA. Trata-se de medida de justiça social, de coerência institucional e de respeito à história de quem ergueu este Tribunal. Sua implementação não exige a invenção de soluções jurídicas complexas — exige apenas a vontade administrativa de olhar para quem já não está mais em campo, mas cuja contribuição jamais poderá ser apagada.

A pergunta que o SINTAJ dirige à Presidência do TJBA é direta: se há orçamento para remunerar desembargadores com mais de R$ 300 mil mensais, há orçamento para garantir que os aposentados desta Casa não passem por restrição e insegurança alimentar. A escolha de prioridades é, também, uma escolha moral.

URGÊNCIA QUE NÃO PODE ESPERAR MAIS UMA TEMPORADA

No futebol, há momentos em que o técnico precisa agir imediatamente. Uma virada não acontece sozinha — exige decisão, coragem e o reconhecimento de que o placar precisa mudar agora, não na próxima rodada.

A situação dos aposentados e pensionistas do TJBA não comporta mais adiamentos. Cada mês de inação é mais um mês em que famílias reais enfrentam escolhas que jamais deveriam precisar fazer. O SINTAJ cobra do Desembargador José Edivaldo Rocha Rotondano, Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, resposta concreta e célere ao pedido de criação do auxílio – nutrição, medida de custo administrativo viável e de impacto humano inestimável.

O Bahia virou o jogo quando mais precisava. É hora de o TJBA fazer o mesmo — em favor de quem construiu sua história.

FONTE/CRÉDITOS: SINTAJ
Comentários:
+colunistas

Publicado por:

+colunistas

Lorem Ipsum is simply dummy text of the printing and typesetting industry. Lorem Ipsum has been the industry's standard dummy text ever since the 1500s, when an unknown printer took a galley of type and scrambled it to make a type specimen book.

Saiba Mais

Veja também

Sindipetro Bahia
Sindipetro Bahia