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Sexta-feira, 17 de Julho de 2026

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Novembro Negro e Marcha das Mulheres Negras reafirmam a luta por igualdade

CUT destaca o protagonismo das mulheres negras e o compromisso com o combate ao racismo

Novembro Negro e Marcha das Mulheres Negras reafirmam a luta por igualdade
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Novembro é um mês simbólico e de profunda importância para a população negra no Brasil. Marcado pelo Dia da Consciência Negra, celebrado no próximo dia 20, o período convida a sociedade a refletir sobre o racismo estrutural, as desigualdades históricas e a resistência do povo negro ao longo dos séculos.

O mês também será marcado pela Marcha das Mulheres Negras, movimento que reafirma o protagonismo feminino negro na luta contra o racismo, o machismo e a violência nas periferias do país. Em novembro de 2015 cerca de cem mil mulheres negras de todo o Brasil marcharam em Brasília na histórica mobilização que defendeu o bem viver e denunciou o racismo estrutural.

“A expectativa é que um milhão de mulheres marchem na capital federal, no centro do poder político do país. A mobilização das organizações de mulheres, do movimento negro e da juventude é fundamental para que, um dia, possamos construir uma democracia plena e verdadeira no Brasil”, afirma Maria Júlia Nogueira, secretária nacional de Combate ao Racismo da CUT.

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O 20 de novembro homenageia Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares e símbolo da luta pela liberdade. A data foi oficializada para destacar a contribuição dos negros na construção da sociedade brasileira e denunciar as desigualdades que ainda persistem.

Racismo estrutural e violência policial

Apesar de avanços nas políticas públicas e no debate sobre diversidade, os desafios permanecem gritantes, especialmente nas comunidades periféricas. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), 82% das pessoas mortas pela polícia em 2023 eram negras. O dado faz parte do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024 e mostra como o racismo estrutural segue definindo quem vive e quem morre no país.

O mesmo levantamento aponta que, em 2023, a polícia brasileira matou mais de 6.400 pessoas — o equivalente a 17 mortes por dia. Em estados como Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo, a maioria absoluta das vítimas é de jovens negros moradores de periferias. O padrão se repete ano após ano, evidenciando que a cor da pele ainda determina o grau de vulnerabilidade diante das forças de segurança.

Esses números não são isolados. Um relatório de 2024 da Anistia Internacional Brasil destaca que o país vive uma “crise de segurança pública marcada pela seletividade racial”.

Jovens negros são frequentemente alvos de operações violentas e de abordagens abusivas, enquanto políticas de prevenção e inclusão social seguem insuficientes. Um exemplo recente foi a ação policial no Rio de Janeiro que deixou mais de 117 mortos, a grande maioria negra.

“A violência policial no Brasil tem cor, território e classe. É a juventude negra das periferias que paga com a vida por um Estado que ainda enxerga corpos negros como ameaças. Precisamos de políticas públicas que valorizem a vida e garantam segurança, sem genocídio”, afirma Maria Júlia Nogueira.

Mulheres negras na linha de frente da resistência

As mulheres negras também sofrem impactos diretos desse contexto. São mães, irmãs e companheiras de vítimas da violência estatal, mas também lideranças que transformam dor em resistência. Na Marcha das Mulheres Negras, elas denunciam o genocídio da juventude negra, a desigualdade econômica e a invisibilidade histórica de suas pautas.

“As mulheres negras estão na linha de frente porque são elas que seguram a luta nas comunidades, que enfrentam a dor da perda e ainda se levantam para exigir justiça. A resistência dessas mulheres é o que mantém viva a esperança de um país mais justo e igualitário”, destaca Júlia Nogueira.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres negras representam 27% da população brasileira, mas ocupam apenas 6% dos cargos de liderança e recebem, em média, 46% menos que homens brancos. Ainda assim, estão na linha de frente da luta por justiça e equidade.

Consciência Negra: prática diária de transformação

Mais do que um mês de celebração, novembro é um convite à reflexão e à ação. A Consciência Negra não se resume a uma data no calendário: é uma prática diária de resistência, memória e transformação social.

"É tempo de reconhecer as contribuições da população negra para a cultura, a política e a economia do país — e de enfrentar, com coragem e compromisso, as estruturas que perpetuam o racismo e a exclusão", finaliza a dirigente.

FONTE/CRÉDITOS: Portal CUT
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