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QUARTA-FEIRA, 16 DE SETEMBRO DE 2026
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Bahia precisa diversificar economia e preparar bons projetos para aproveitar oportunidades da reforma tributária

A preocupação apresentada no seminário é coerente com estudos que Valverde desenvolve há anos

Bahia precisa diversificar economia e preparar bons projetos para aproveitar oportunidades da reforma tributária
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Segundo painel do Diálogos Produtivos discutiu gargalos de infraestrutura, desenvolvimento regional, autonomia dos estados e as mudanças que serão provocadas pelo novo sistema tributário

A Bahia terá novas oportunidades de financiamento do desenvolvimento com a reforma tributária, mas precisará enfrentar gargalos históricos de infraestrutura e logística, diversificar sua estrutura produtiva e redesenhar suas políticas de desenvolvimento regional para transformar recursos em crescimento, empregos e melhoria da qualidade de vida.

Esse foi um dos principais diagnósticos do segundo painel do seminário “Diálogos Produtivos: Um olhar do Sindsefaz para a Bahia do futuro”, realizado pelo Sindsefaz nesta sexta-feira (11), no Fiesta Bahia Hotel, em Salvador.

O painel “Dialogando com a Bahia do futuro” reuniu os economistas Rodrigo Orair, diretor de Programa da Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda, e Rosembergue Valverde, professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), com mediação do presidente da Fenafisco, Francelino Valença.

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Diversificar economia

Rosembergue Valverde centrou sua apresentação nas perspectivas da economia baiana e chamou atenção para a necessidade de o Estado diversificar sua estrutura produtiva, identificando setores capazes de gerar maior valor agregado, emprego e renda. Entre os obstáculos, apontou os estrangulamentos de infraestrutura e logística, fundamentais para a competitividade de uma economia com a dimensão territorial e a diversidade produtiva da Bahia.

A preocupação apresentada no seminário é coerente com estudos que Valverde desenvolve há anos. Em pesquisas sobre a estrutura produtiva brasileira, ele tem chamado atenção para a concentração espacial da produção industrial, as desigualdades regionais e os efeitos da desindustrialização.

Em análise anterior sobre a Bahia, Valverde advertiu que a combinação entre renda abaixo da média nacional e redução da participação industrial no PIB limita a criação de empregos de melhor qualidade. Para ele, uma estrutura econômica mais complexa, com indústria articulada a serviços especializados e outros segmentos produtivos, oferece melhores condições para um desenvolvimento sustentável e inclusivo.

Mais recentemente, ao participar das discussões do PDI Bahia 2050, o economista também apontou a necessidade de articular Estado e iniciativa privada, fortalecer atividades como a agricultura familiar e criar oportunidades capazes de incorporar principalmente a população jovem ao mercado de trabalho.

Essa visão ajuda a dimensionar o desafio colocado por Valverde no Diálogos Produtivos: não basta fazer a economia baiana crescer. É necessário discutir quais setores crescerão, onde estarão localizados, que empregos produzirão e quanto conseguirão irradiar desenvolvimento para as diferentes regiões do Estado.

Mudança na arrecadação

Rodrigo Orair mostrou que a reforma tributária produzirá uma transformação profunda no federalismo fiscal brasileiro e ressaltou que a transição completa para o novo modelo será longa, alcançando cerca de 50 anos quando considerados todos os mecanismos de transição. Uma das mudanças destacadas pelo economista é a passagem da tributação do consumo da origem para o destino.

Na prática, explicou Orair, o objetivo é aproximar a arrecadação tributária do local onde se encontra o cidadão que efetivamente consome o produto ou serviço.

Hoje, moradores de pequenos municípios baianos, por exemplo, podem consumir bens e, por meio da tributação na origem, contribuir para a arrecadação dos estados onde esses produtos foram fabricados. Com o princípio do destino, a distribuição da receita tende a acompanhar mais de perto o local do consumo.

Para a Bahia, uma das grandes oportunidades apontadas por Orair estará nos recursos destinados ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional. Mas ele fez uma advertência, que ter acesso aos recursos não será suficiente e os estados precisarão redesenhar suas políticas de desenvolvimento regional e construir bons projetos, capazes de direcionar os investimentos para atividades que efetivamente ampliem a capacidade produtiva e reduzam desigualdades. Citou o Rio Grande do Sul, que se antecipou e já iniciou esse debate.

Essa perspectiva dialogou diretamente com o diagnóstico de Rosembergue Valverde sobre a necessidade de diversificação da economia baiana. Os novos instrumentos, portanto, poderão abrir possibilidades, mas o resultado dependerá da qualidade do planejamento realizado pelo Estado.

Avanços X autonomia

O presidente da Fenafisco, Francelino Valença, avaliou positivamente aspectos da reforma tributária, especialmente a simplificação e a possibilidade de melhoria do ambiente de negócios. Por outro lado, manifestou preocupação com a redução da autonomia de estados e municípios. Na sua avaliação, o novo sistema limita a capacidade dos entes subnacionais de utilizar a legislação tributária como instrumento de política econômica e de desenvolvimento.

Valença também criticou a composição do Comitê Gestor do IBS, uma das principais estruturas da nova arquitetura tributária, que privilegiou bastante a presença de representação dos municípios.

Para o presidente da Fenafisco, a reforma exige ainda um debate mais amplo sobre o próprio papel do Estado. Ele defendeu a revisão dos limites impostos aos gastos públicos e a ampliação dos investimentos estatais como instrumentos para estimular a atividade econômica e melhorar a qualidade de vida da população.

Administração tributária

Francelino também defendeu a criação e o fortalecimento de uma Lei Orgânica da Administração Tributária, capaz de estabelecer parâmetros nacionais e assegurar condições adequadas para o funcionamento das administrações tributárias.

O tema ganha importância justamente no momento em que União, estados e municípios começam a operar um sistema baseado em maior integração, compartilhamento de informações e cooperação federativa.

Ao reunir as diferentes perspectivas, o segundo painel deixou uma conclusão importante para a Bahia: a reforma tributária cria novas condições, mas não substitui uma política de desenvolvimento.

Transformar essas possibilidades em crescimento econômico, redução das desigualdades regionais e empregos de qualidade dependerá da capacidade do Estado de planejar, selecionar projetos, superar gargalos de infraestrutura e logística e utilizar os novos instrumentos fiscais para diversificar e tornar mais complexa a economia baiana.

Foi justamente essa discussão sobre o longo prazo que orientou o Diálogos Produtivos, iniciativa do Sindsefaz para colocar a administração tributária e seus servidores também no debate sobre qual Bahia queremos construir para as próximas décadas.

FONTE/CRÉDITOS: Sindsefaz
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