Entenda a relação entre Flávio e Trump que escravizará o país
Emprego, salário, comida e combustível estão em jogo quando um país perde o controle de suas riquezas. Entenda os riscos do alinhamento da família Bolsonaro a Trump
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Uma relação de dependência que deverá impactar diretamente no seu emprego, no dinheiro que sobra no fim do mês, no preços que você paga pelas coisas que compra, nas oportunidades para seus filhos. Este seria o cenário mais provável com uma eventual eleição de Flavio Bolsonaro à presidência da República, levando em consideração o histórico de submissão a Donald Trump e aos Estados Unidos.
A aproximação da família Bolsonaro com Trump se baseia em uma relação de dependência cuja conta pode chegar diretamente à população. Para o cidadão comum, que pega ônibus cedo todo dia, trabalha por conta própria ou mantém um pequeno comércio, essa disputa pode parecer distante.
Mas perder a autonomia sobre os recursos naturais, como o petróleo e minérios das terras raras significa reduzir a capacidade de transformar a riqueza brasileira em produção, empregos e renda no Brasil e gerar lá fora.
O economista Presley Vasconcellos, mestre em Teoria Econômica pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), formado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), colunista e palestrante, em suas redes sociais, fez alerta didático e direto sobre como essa dependência afeta a vida de cada um de nós.
“Historicamente, grandes potências mundiais, como Estados Unidos, China e países europeus, tratam as nações subdesenvolvidas como o seu quintal de casa, buscando obter riquezas que não possuem em seus próprios territórios, como petróleo, minérios, soja e terras raras. Essa atuação imperialista não busca cooperação real ou promoção da democracia, mas sim a celebração de acordos comerciais desvantajosos para comprar nossos recursos estratégicos a preço de banana”, ele diz.
Presley explica ainda que essa dinâmica afeta diretamente a vida e o bolso de qualquer pessoa no Brasil “seja um pequeno empresário, arquiteto ou personal trainer, porque a economia é cíclica”.
Ele exemplifica, como podemos ver isso claramente, na privatização de refinarias de petróleo no Brasil, durante o governo de Jair Bolsonaro, que passou a praticar preços alinhados ao mercado internacional em vez de seguir a lógica e os subsídios do mercado interno, encarecendo os combustíveis para o consumidor.
E prossegue afirmando que, do mesmo modo, a nossa estrutura produtiva está subordinada ao capital externo. “Quando ocorreu a crise do frango nos Estados Unidos, a produção brasileira priorizou a exportação e quem arcou com a alta dos preços nos supermercados fomos nós. Além disso, do ponto de vista geopolítico e social, os latino-americanos não são vistos pelas potências estrangeiras como iguais, enfrentando xenofobia e subordinação quando estão no exterior”.
O alerta de Presley é de que entregar a nossa soberania econômica reduz nosso país a um mero fornecedor barato e impõe à população uma forma moderna de exploração e servidão.
A visão dos EUA sobre o Brasil
Na avaliação de Presley, há uma profunda ilusão em uma parcela dos brasileiros de que o país é visto com respeito e em ‘pé de igualdade’ pelas potências internacionais, especialmente pelos Estados Unidos.
Mas, ele enfatiza que a América Latina segue sendo tratada geopoliticamente apenas como o "quintal do mundo" para a extração de recursos. Ao analisar como o brasileiro e o latino-americano são vistos no exterior, ele sintetiza essa assimetria de forma direta:
Quando você vai para fora, você deixa de ser um ser humano para você ser uma subcategoria. E é por isso que quando o imigrante vai para lá tem que ficar fazendo um trabalho que ninguém quer fazer. É humilhado, sofre xenofobia. E você acha mesmo que um país como os Estados Unidos vindo a se inserir, entrando aqui dentro vai tratar a gente de igual para igual? Então não acha que você é branco, você é americano, não, porque você é latino